Tempos modernos na era das canetas e das eleições
“Tempos modernos”.
Essa preciosa obra de arte criada há 90 anos, dirigida e protagonizada pelo lendário Charles Chaplin, demonstra o quanto a alienação do trabalhador provocada pela industrialização em massa torna tudo tão desumano e manipulável.
O processo eleitoral, principalmente no Brasil, reflete muito o enredo dessa brilhante produção.
Durante mais de dez anos, coordenei, cuidei e operei em um projeto que foi uma das maiores ações criadas pelo sistema público mundial para tratar portadores de obesidade mórbida, e pude entender como essa população é esquecida, abandonada, passiva e conformada com o abandono em seu tratamento.
Pois perdeu o mais importante: a esperança.
Assim como no filme de Chaplin, seguem o que lhe oferecem.
Operei mais de 3500 pacientes e cuidei de mais de 6 mil.
Aguentamos pouco mais de duas eleições, mas quando o político julgou que havia outras prioridades, tudo acabou e os obesos voltaram para linha de produção em massa.
Nunca uma frase de um filme da década de 30 foi tão moderna para o político do Brasil: “Anime-se – nunca diga morrer.
Vamos nos dar bem!” Continua após a publicidade Nesta semana, a pouco mais de quinze dias das eleições, foi alardeado que seria oferecida aos milhões de obesos de baixa renda desse país as “ canetas emagrecedoras “ .
Não estou aqui para posicionamentos políticos, mas sei o quão grave é fazer o obeso sonhar e torço para que, dessa vez, a promessa eleitoral se cumpra, seja qual for o eleito.
Quando voltamos à era Chaplin, da grande crise da década de 30, havia um uso abusivo do operário, sem direitos.
Hoje, assistimos a uma melhora Continua após a publicidade significativa nesses benefícios e um enorme massacre sobre os grandes empresários que tornam possíveis os empregos.
Nos últimos anos, tenho visitado dezenas de indústrias produtoras dessas novas medicações no Brasil e no mundo, o que me levou a entender o quão difícil é a sua produção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.