O orçamento de cibersegurança ainda está desconectado da inteligência de ameaças
A inteligência que orienta a operação de segurança ainda pouco orienta o orçamento.
Segundo o 2026 SANS SOC Survey Insights , 74% dos líderes de cibersegurança aplicam Cyber Threat Intelligence, ou CTI, às operações de segurança e às atividades de Threat Hunting.
No entanto, apenas 26% utilizam essa mesma inteligência para orientar decisões de orçamento e priorização de investimentos.
Na prática, isso significa que conseguimos usar informações sobre ameaças para decidir o que investigar, quais comportamentos priorizar e onde concentrar os esforços de análise, mas ainda temos dificuldade de levar esse conhecimento para outra pergunta igualmente importante: onde faz sentido alocar o próximo investimento em cibersegurança? Já acompanhei uma organização que gastava cerca de 4 milhões de reais por ano somente com soluções de segurança.
O valor, isoladamente, não diz muita coisa.
Para uma grande empresa, pode ser absolutamente compatível com o tamanho e a complexidade da operação.
O problema naquele caso era outro.
Havia duas ferramentas cumprindo praticamente a mesma função em determinadas linhas de defesa.
Em outra situação, durante o assessment de uma solução já contratada, descobrimos que boa parte das capacidades disponíveis sequer estava configurada.
A empresa tinha comprado a tecnologia, mas não estava extraindo dela toda a capacidade do que havia adquirido.
Esses exemplos mostram por que discutir orçamento de cibersegurança apenas pelo tamanho do investimento pode levar a conclusões erradas.
A pergunta deveria começar antes: qual serviço essa tecnologia/solução efetivamente entrega e qual visibilidade ela acrescenta à operação? Leia mais: Parceria entre WDC Networks e Qualcomm leva IA na borda ao mercado brasileiro Comprar novas tecnologias é mais simples do que revisar o que já existe? Muitas vezes, surge uma nova ameaça, uma falha é identificada em uma auditoria ou a operação encontra um ponto cego, e a reação mais imediata é buscar uma nova solução.
É uma decisão concreta, facilmente demonstrável e, muitas vezes, mais palatável internamente do que revisar arquitetura, integrações, configurações e processos existentes.
O resultado pode ser um ambiente cada vez mais caro sem que isso represente, necessariamente, uma evolução proporcional na capacidade de proteção.
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