Com dívida de R$ 985 milhões, crise na Apex põe em risco sua fatia na CVC
A gestora de investimentos Apex Partners enfrenta uma crise que colocou em risco a sua fatia de mais de 15% na CVC Corp e empurrou a empresa para uma dívida preliminar de R$ 985,6 milhões. Em busca de blindagem contra credores, a gestora capixaba obteve na Justiça uma pré-recuperação judicial após uma manobra agressiva com as ações da operadora de turismo, apelidada no mercado de "Master Capixaba", gerar um rombo milionário. Diante do colapso, uma investigação interna patrocinada pelos próprios sócios afastou o fundador Fernando Cinelli e o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira.
A gestora capixaba comprou mais de 15% das ações da CVC Corp entre 2025 e 2026. A operação, batizada de "Master Capixaba" pelo mercado, não foi paga só com recursos próprios: a Apex canalizou dinheiro de um ecossistema de investimentos de R$ 17,5 bilhões, que reúne ativos de clientes, fortunas sob gestão (wealth management) e fundos de terceiros.
Para atrair investidores para a compra das ações da CVC, a Apex ofereceu uma garantia duvidosa. Ela prometeu ao investidor que ele ficaria com a valorização das ações caso elas subissem, mas recebia ao menos 100% do CDI se caíssem ou ficassem estagnadas — uma promessa de risco zero embora se tratasse de um ativo de renda variável, negociado na Bolsa.
Segundo agentes do mercado, as suspeitas se assemelham às do Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 2025 depois de uma crise generalizada de liquidez , em um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional. No caso da Apex, as ações da CVC caíram mais de 30% desde o início de 2026, tornando inviável cumprir a promessa, obrigando a gestora a tirar dinheiro do próprio caixa para cobrir a diferença — abrindo um rombo nos cofres da gestora.
A dívida líquida da Apex saltou de R$ 413 milhões para R$ 975 milhões apenas entre janeiro de 2025 e junho de 2026. A dívida bruta total chega a R$ 985,6 milhões. Cerca de R$ 309,8 milhões dessa dívida se deve justamente ao mecanismo pelo qual a Apex prometia retorno (cashback) de até 125% do CDI a 1.600 contratos ou aplicações de clientes.
Um dos credores prejudicados pela crise da Apex é o Grupo Gazin. O conglomerado paranaense tinha um acordo para receber R$ 79 milhões que aplicou em títulos estruturados pela gestora.
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