A IA não é o problema. Seus processos podem ser
Há algum tempo a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa e passou a fazer parte da rotina das empresas brasileiras.
O desafio agora não é mais convencer as organizações a experimentar IA, mas usá-la de maneira estratégica e estruturada nos negócios.
Dados recentes do relatório “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil — 2026”, produzido pela consultoria Strand Partners para a Amazon Web Services (AWS) , ajudam a ilustrar esse paradoxo.
Embora 50% das empresas brasileiras já utilizem inteligência artificial, apenas 15% alcançaram um estágio avançado ou agêntico de adoção.
A maioria, 58%, ainda permanece em um estágio elementar, concentrando o uso da tecnologia em aplicações mais isoladas e pontuais.
A adoção bem-sucedida de inteligência artificial pelos negócios não começa pela ferramenta, mas pela organização dos processos.
Uma tecnologia sofisticada aplicada a uma operação desestruturada tende apenas a acelerar problemas que já existiam.
Se as decisões dependem de aprovações manuais, as informações estão espalhadas em e-mails e planilhas ou não há clareza sobre responsabilidades, a IA pode otimizar uma etapa, mas não necessariamente o processo inteiro.
O momento agora é diferente porque a IA interpreta informações ambíguas, recomenda decisões e, em alguns casos, já executa parte do fluxo sozinha.
Com isso, surge um problema que a automação tradicional não precisava enfrentar da mesma maneira: quem garante que essa interpretação, recomendação e execução acontecem dentro de um fluxo coerente e sob as regras estabelecidas pela organização? Por isso, alguns aspectos precisam estar organizados antes da adoção em escala.
Entre eles estão a identidade e o controle de acesso, com permissões adequadas para visualização e edição de dados; a rastreabilidade, para reconstruir a cadeia de decisões e verificar a conformidade regulatória; políticas de aprovação proporcionais ao nível de risco; a gestão do ciclo de vida; e um “dono”, tanto do ponto de vista de negócio quanto técnico, para cada agente.
Essa pessoa deve ficar responsável por supervisionar o trabalho realizado pela ferramenta e responder por sua operação.
Quando uma empresa “pula” essas etapas e coloca um agente para operar um processo mal definido, podem surgir problemas como decisões autônomas indevidas, mesmo quando as permissões técnicas estão corretas, possíveis violações regulatórias e dificuldade para auditar o trabalho realizado.
Ao definir onde os investimentos em IA devem ser concentrados, a prioridade deveria ser mapear e classificar os processos da organização antes de escolher quais deles serão automatizados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.