Há 16 anos, o Brasil mudava sua história com uma decisão ousada no FMI: o país que antes devia passou a emprestar para o maior banco de financiamento do mundo
Em janeiro de 2010, o Brasil passou de devedor a credor do Fundo Monetário Internacional (FMI), em um movimento histórico para o país.
Depois de décadas recorrendo a sucessivos empréstimos da instituição, o país passou a emprestar recursos ao Fundo como resultado de uma transformação na composição das suas reservas internacionais.
Em 2005, o governo Lula antecipou a quitação da última dívida do Brasil com o Fundo; e, quatro anos depois, em meio à crise financeira internacional desencadeada pela quebra de instituições financeiras norte-americanas e que se estendeu para o resto do mundo entre 2008 e 2009, Lula e o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram que o Brasil contribuiria para ampliar a capacidade financeira da instituição.
O compromisso anunciado em junho de 2009 previa que o Brasil investiria até US$ 10 bilhões em títulos emitidos pelo FMI.
O acordo foi assinado de forma definitiva em janeiro de 2010, quando o Brasil passou a fazer parte do grupo de governos que poderiam fornecer recursos ao Fundo.
O empréstimo não foi feito como transferência direta em dólares; ao invés disso, o Brasil adquiriu as notas emitidas pelo FMI, denominadas em Direitos Especiais de Saque (DES), ativos que passaram a compor as reservas internacionais brasileiras.
Os DES são a unidade de conta do FMI e estabelecem o direito de reivindicar moedas utilizáveis.
O FMI calcula o valor do ativo com base em cinco moedas diferentes: o dólar americano, o euro, o renminbi chinês, o iene japonês e a libra esterlina.
Quando um país recebe DES, pode trocá-los por moedas em acordos definidos no âmbito da instituição.
Eles rendem juros calculados com base nas taxas de curto prazo das cinco moedas da cesta, e podem também ser usados em operações de quitação de obrigações tomadas com o FMI, além de empréstimos entre países ou operações de swap cambial.
Ou seja, o Banco Central registrou esse empréstimo como uma mudança na composição das reservas internacionais, sem reduzir o volume das reservas.
A relação do Brasil com o FMI havia sido marcada, até então, por décadas de programas de financiamento.
Desde a criação do Fundo, em 1944, com a reorganização do sistema monetário internacional após a Segunda Guerra Mundial, o FMI passou a atuar como instituição de financiamento internacional e o Brasil recorreu ao Fundo diversas vezes.
Desde os anos 1960, foram firmados pelo menos 16 acordos formais de empréstimo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.