A conta da irresponsabilidade tem endereço: o consumidor
O Congresso Nacional acaba de promulgar a Emenda Constitucional 141/2026, reduzindo a jornada de trabalho e garantindo dois dias de descanso semanal remunerado.
Uma decisão comemorada em pleno período eleitoral, como se fosse possível criar benefícios sem discutir quem pagará a conta.
Sou favorável à redução da jornada.
A indústria farmacêutica fez isso por negociação coletiva há quase duas décadas, passando de 44 para 42 e depois para 40 horas semanais, com investimentos em tecnologia, qualificação e produtividade.
Primeiro vieram as condições para reduzir a jornada.
Não foi necessária uma canetada, mas responsabilidade.
Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor Mas alguém perguntou quanto custa fazer uma caixinha de medicamento chegar às mãos de um paciente? Uma fábrica precisa de operadores, técnicos, controle de qualidade, manutenção e logística.
Reduzir horas sem reduzir salários significa contratar mais, pagar horas extras ou produzir menos.
O estudo do Sindusfarma mostra que, onde a jornada ainda é de 44 horas, a redução para 40 eleva em 10% o custo da hora trabalhada, além de grande impacto no descanso semanal remunerado sobre a remuneração variável.
E a conta não termina na fábrica.
Transportadoras, distribuidoras e centros de armazenagem também terão de reorganizar suas operações.
Pensemos numa farmácia aberta 14 horas por dia, sete dias por semana.
São 98 horas de atendimento semanal.
Como manter esse funcionamento com dois dias de repouso para cada empregado, sem ampliar equipes? Voltaremos aos anos 1970, quando era necessário procurar a farmácia de plantão no bairro ou na cidade? E os hospitais? Uma UTI não fecha aos domingos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.