Vorcaro depõe à PF sobre como pôs fiscalização do BC no bolso
Daniel Vorcaro será interrogado pela Polícia Federal numa condição diferente da que planejou. Havia se equipado para ser ouvido como delator. Será inquirido sem a perspectiva de premiação que anima os colaboradores. O interrogatório tratará de um dos mais ruinosos capítulos do escândalo do Master: a infiltração de Vorcaro na engrenagem do Banco Central.
Pelo menos dois anos antes da liquidação, já se sabia que o Master crescia vertiginosamente pagando comissões exorbitantes na negociação de títulos de renda fixa. Remunerava corretoras e clientes com taxas muito superiores às praticadas pelo mercado. Quando o sinal amarelo acendeu, Roberto Campos Neto ainda presidia o Banco Central. Descobriu-se depois que a fiscalização do BC estava, por assim dizer, comprada.
Vorcaro será inquirido no pedaço do inquérito que apura a atuação do ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão, Belline Santana. Ambos deveriam ter fiscalizado o Master. Segundo a PF, receberam dinheiro de Vorcaro. Atuaram como "empregados" do mafioso que tinha um banco. Davam "consultoria" a quem deveriam fiscalizar.
Belline e Paulo Sérgio deslizaram para dentro da gestão de Gabriel Galípolo, o sucessor de Campos Neto. Foram afastados por ordem de André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O time de defensores de Vorcaro ganhou o reforço do criminalista Daniel Bialski. Foi contratado para tentar esboçar uma terceira proposta de colaboração premiada. Já declarou que seu cliente quer colaborar. A explicação de como Vorcaro colocou a fiscalização do BC no bolso seria um bom começo.
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