Tamyres Filgueira denuncia abordagem racista de segurança durante debate na Fiergs
A noite do domingo (9) foi de mais um debate entre os principais candidatos ao governo do estado, o primeiro da TV promovido pela Band na sede da Fiergs. Entretanto, foi marcada por um possível episódio de racismo. É o que denuncia Tamyres Filgueira (PT), candidata a suplente na chapa do deputado federal Paulo Pimenta (PT) ao Senado.
Ela conta que, na noite do debate, foi marcar presença na Fiergs junto de outros dez apoiadores de Juliana Brizola (PDT). No evento, a comitiva de Brizola entrou na mesma fila de apoiadores dos demais candidatos para ingressar em um espaço restrito ao público geral. Contudo, Tamyres teve sua entrada barrada pelo segurança, que colocou o braço na frente da candidata para impedir sua passagem.
O segurança, então, pediu para que Filgueira se identificasse e disse que iria checar se ela estava na lista dos convidados. Tamyres foi a única pessoa barrada pela equipe de segurança. No que define como “situação muito constrangedora”, ela teria que provar que pertencia àquele espaço restrito, o que não foi o caso dos outros apoiadores. A situação foi resolvida pela intervenção de uma funcionária da Band , que prontamente identificou Tamyres e a auxiliou.
“Fiquei muito triste. Fiquei com uma sensação de ter levado um soco no estômago”, diz Tamyres Filgueira ao Sul21. Porém, ela reforça que a atitude “não é individual” do segurança, e, sim, um reflexo do “sistema racista que a gente vive” em que o homem e a mulher negra são tratados como suspeitos, que demandam vigilância.
Tamyres chegou a relatar a situação nas redes sociais , mas diz que não fez denúncia formal ou quis expor o nome do segurança pois entendeu que seria a oportunidade de transformar o ocorrido em um “momento pedagógico” sobre o racismo estrutural. “Para quem sofre com o racismo diariamente, sendo impedido de chegar em lugares, isso dói, isso machuca. Eu quis relatar isso para mostrar que, mesmo a gente ocupando lugares de decisão ou lugares políticos, nós também somos alvos”, observa Filgueira.
“Racismo é isso: ou tu combate ou tu faz parte. Me calar seria fazer parte”, afirma Tamyres.
Procuradas pela reportagem, os organizadores, Band e Fiergs, lamentaram o episódio e o constrangimento. Em nota, a Fiergs destacou que repudia qualquer forma de preconceito ou discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito, a diversidade e a dignidade das pessoas.
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