Crescimento de 2% para o Brasil em 2026 ainda é otimista, diz Salto
O Ministério da Fazenda reduziu para 2% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o ano corrente, segundo o boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (22).
Na edição anterior, de julho, a estimativa era de crescimento de 2,3%.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren e ex-Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, ressaltou que a revisão das projeções era esperada.
“O governo é sempre um pouco mais lento para incorporar um cenário que o mercado já indica.
Isso costuma acontecer sempre”, afirmou.
Segundo ele, os dados de atividade econômica, incluindo o PIB dos trimestres anteriores e o IBC-Br — indicador de atividade do Banco Central que funciona como prévia da economia oficial —, já vinham sinalizando desaceleração desde meados de 2025.
Salto apontou que esse movimento reflete uma política monetária operando com taxa real de juros bastante superior à chamada taxa neutra , tornando-a contracionista.
Porém, Salto ponderou que a projeção de 2% pode ainda estar otimista.
“Vai ser preciso acompanhar os setores de atividade, a indústria, os serviços e o agronegócio até o final do ano para avaliar esse desempenho”, disse.
Ele acrescentou que o contexto aponta para uma atividade ainda mais fraca em 2027, ano em que as expectativas do mercado estarão voltadas para a composição do ajuste fiscal que o governo deverá anunciar.
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No cenário internacional, destacou as mudanças de preços relativos decorrentes da alta do petróleo , provocada por choques de oferta negativos associados aos conflitos no Oriente Médio, além da elevação dos juros norte-americanos após a última decisão do Federal Reserve .
“Quando os juros lá fora ficam mais altos, isso também coloca dificuldades para o Banco Central brasileiro”, explicou.
No plano doméstico, Salto apontou a pressão de demanda originada no gasto público como fator relevante.
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