Estudo mais completo até agora revela origem dos morcegos na Europa há 65 milhões de anos
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Com mais de 1.400 espécies distribuídas em todo o mundo, exceto Ártico e Antártida, os morcegos são um dos maiores sucessos evolutivos entre os mamífero s. Sua capacidade de voo batido , a comunicação por ecolocalização e a sua imunidade a diversos patógenos são algumas das características que possibilitaram sua diversificação e dispersão globalmente.
No entanto, décadas de estudo de quirópteros deixavam uma questão central na história evolutiva do grupo em aberto: onde os morcegos teriam se originado? Agora, um esforço ímpar com 137 pesquisadores de instituições em 64 países respondeu a essa pergunta, indicando a origem do grupo no Paleoceno (há cerca de 65 milhões de anos) na Europa .
O trabalho, publicado na revista Nature na quarta-feira (23), é resultado do consórcio Bat1K, iniciativa internacional que pretende sequenciar genomas de referência das quase 1.500 espécies de morcegos a fim de criar um banco de dados do grupo e incentivar políticas de conservação destes animais .
Na análise, foram combinados dados de genoma de 103 espécies representando as 21 famílias existentes, incluindo 42 sequências únicas para o estudo, além de dados morfológicos de 65 espécies extintas e atuais, produzindo o maior estudo evolutivo de morcegos .
A inclusão de dados biogeográficos ajudou a reconstruir a origem e os pulsos de migração do grupo no início da sua evolução, explica Sonja Vernes, professora do laboratório de neurogenética da comunicação verbal da Universidade de St. Andrews (Reino Unido) e autora sênior do artigo.
"Agora que sabemos que os morcegos se originaram na Europa podemos ver como eles se dispersaram ao redor do mundo, e uma dessas possibilidades é que partiram até a África e, daí, para outros lugares. Assim, África e Europa formaram um centro a partir do qual os morcegos evoluíram e se dispersaram", disse ela à reportagem.
Até então, as evidências sugeriam origens distintas para os morcegos a partir de fósseis de idades similares encontrados na Europa, América do Norte e Ásia , enquanto dados biogeográficos incluíam a África como local de origem. Já os dados genômicos indicavam uma origem possivelmente na Ásia, mas estes não incluíam dados fósseis.
Com uma matriz com quase 700 caracteres morfológicos codificados para 44 espécies fósseis, a análise conseguiu incluir diversos exemplares de coleções científicas da Europa, África e América do Norte, fruto do trabalho colaborativo de duas gerações de paleontólogos. "É uma conquista extraordinária conseguir reunir um conjunto de dados assim", diz Vernes.
Além dos 44 fósseis, os pesquisadores analisaram características anatômicas de 21 espécies representando cada uma das famílias de morcegos modernos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.