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Crítica | ‘Coyote Vs. Acme’ mostra que ainda há espaço para os Looney Tunes no século XXI

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Crítica | ‘Coyote Vs. Acme’ mostra que ainda há espaço para os Looney Tunes no século XXI

Chega aos cinemas nesta quinta-feira (27) o novo longa que mistura atores de carne e osso com desenhos animados. Assim como em Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) e Tico e Teco: Defensores da Lei (2022), Coyote Vs. Acme se passa em um mundo em que seres humanos dividem o cotidiano com criaturas animadas. Neste caso, os Looney Tunes . Nesse cenário peculiar, Wile E. Coyote aciona um advogado de pequenas causas ( Will Forte ) para processar a Acme, após anos de lesões e fracassos em pegar o Papa-Léguas ocasionados pela má qualidade dos produtos da corporação.

Porém, o que deveria ser um pequeno processo acaba virando o maior caso judicial da história dos Estados Unidos, já que a Acme atua em diversos setores do varejo. Com isso, ao longo de cerca de 1h40 de filme, o público vê se desenrolar uma história de tribunal capaz de mudar para sempre as vidas dos desenhos animados.

Logo de cara, é curioso ver como todo o processo de lançamento desse filme acabou virando uma paródia de si mesmo. A trama foi inspirada num projeto que James Gunn escreveu nos anos 2010, mas só recebeu sinal verde da Warner uma década depois, quando o diretor conquistou a crítica com seu envolvimento no Universo DC nos cinemas. Porém, quando o filme já estava pronto, foi engavetado e quase foi apagado, visando abatimento dos impostos pela nova gestão do estúdio, que claramente não vê mais espaço para os Looney Tunes na cultura pop atual.

Sob risco de ser apagado sem nunca ter sido assistido pelos fãs, o filme acabou caindo nas graças do fandom , que começou a protestar publicamente contra a Warner . De campanhas virtuais a um fã vestido de Coyote protestando com uma placa na porta do estúdio, o movimento convenceu os executivos a não apagarem o filme, mas a procurarem um possível comprador, já que eles realmente creem que esses personagens estão ultrapassados.

Após uma longa novela, que envolveu briga de egos e diversos outros fatores, a Warner aceitou vender o filme para a Ketchup Entertainment por 50 milhões de dólares, cerca de 20 milhões a menos do que gastou para fazer o longa. Eles preferiram aceitar o prejuízo a arriscarem lançar o projeto e correr o risco de lucro. E, no final das contas, é justamente sobre isso que o Coyote Vs. Acme fala. Por trás dos acidentes do Coyote , há uma conspiração envolvendo as grandes corporações que comandam os Estados Unidos.

De certa forma, por trás de todas as piadas e sequências de humor absurdas, o time criativo conseguiu construir essa crítica nada velada sobre como os estúdios maltratam suas propriedades intelectuais, ferindo a criatividade e apagando trabalhos de centenas de profissionais, que dedicaram suas vidas àqueles projetos, sem o menor remorso. Em tempos tão frios e cruéis, Coyote Vs. Acme é um filme com alma, que não tem medo de apontar o dedo na cara de quem tentou sacaneá-lo até o último segundo. E isso é lindo.

Só que, mais do que o protesto, essa aventura pelos tribunais consegue sustentar o humor clássico que os executivos acreditam estar ultrapassado.

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