Como a anatomia de abelhas pode salvar a lavoura – e os biomas – das mudanças climáticas
Se uma área natural perde parte de sua vegetação e fauna originais, a simples contagem de espécies sobreviventes não revela a história completa da devastação.
Junto com o que se perdeu, se esvai também a diversidade de formas e características físicas que compõem e garantem o equilíbrio dos ecossistemas.
Foi buscando resgatar esse tipo de pistas morfológicas que uma equipe de biólogos se engajou para investigar o passado e o futuro de insetos popularmente reconhecidos como guardiões da biodiversidade no planeta: as abelhas Para entender como as mudanças climáticas e a destruição de hábitats ameaçam a sobrevivência desses polinizadores, a ciência precisa olhar para trás e investigar a jornada evolutiva esculpida em seus esqueletos.
Essa é uma das premissas da fenômica, campo que estuda o fenótipo (a totalidade das características visíveis) com a mesma sistemática com que a genômica mapeia o DNA.
Imagem extraída de: Lepeco & Almeida / Bulletin of the American Museum of Natural History Preservada em âmbar, a fêmea da abelha Succinapis micheneri é um dos registros da tribo extinta Melikertini.
O painel detalha a anatomia de partes específicas do fóssil (A, B e C) e a visão lateral completa do inseto (D).
O estudo milimétrico do esqueleto dessas abelhas restritas ao Hemisfério Norte revela características ancestrais que o DNA não alcança, indicando seu parentesco evolutivo com as abelhas-sem-ferrão atuais Imagem extraída de: Lepeco & Almeida / Bulletin of the American Museum of Natural History Esse resgate da morfologia ancorou dois amplos estudos conduzidos no Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP-USP), em Ribeirão Preto (SP).
Com apoio da FAPESP , os pesquisadores mergulharam na intrincada árvore evolutiva desses insetos.
As análises são resultado de cerca de 15 anos de pesquisas e expedições por mais de 30 países em diversos continentes, aliado a visitas e ao intercâmbio de material biológico com acervos de referência, como o do Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha, e o do Museu Americano de História Natural, em Nova York.
Imagem extraída de: Lepeco & Almeida / Bulletin of the American Museum of Natural History Detalhes anatômicos da abelha-sem-ferrão dominicana ( Proplebeia dominicana ), incrustada em resina fóssil há cerca de 18 milhões de anos.
Mapear detalhes do aparelho bucal com as mandíbulas ( esq .) e da vista anterior do pronoto, parte do tórax ( dir. ), forneceu evidências importantes sobre o lugar da espécie na árvore evolutiva das abelhas-sem-ferrão neotropicais Imagem extraída de: Lepeco & Almeida / Bulletin of the American Museum of Natural History O mapeamento avançou em duas frentes complementares.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.