Caiado chama Flávio Bolsonaro de “desesperado” após tom de fúria por fala de Kassab
A guerra de trincheiras dentro do campo da extrema direita brasileira ganhou contornos de pura desestabilização emocional e tiroteio ostensivo no início deste período oficial de campanha.
O pivô do mais recente chacoalhão político foi uma análise crua e pragmática do ex-prefeito paulista e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, vice na chapa do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
Ao declarar categoricamente a empresários que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) carrega “chance zero” de vitória nas urnas, Kassab deflagrou uma onda de fúria desmedida no comitê do PL e em Flávio, e a reação que acabou ricocheteando no próprio presidenciável do PL, agora explicitamente achincalhado por seus concorrentes do mesmo espectro ideológico.
A declaração de Kassab, proferida na última quinta-feira (13), expôs as entranhas do pragmatismo do Centrão.
O dirigente partidário pontuou que amplos setores do bloco já migraram ou se alinharam tacitamente à candidatura de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixando o filho de Jair Bolsonaro isolado em uma bolha ideológica de baixa tração eleitoral.
A constatação de realidade caiu como uma bomba de efeito moral no QG do Partido Liberal.
Em vez de absorver o golpe com sobriedade política, a coordenação da campanha do PL partiu para um contra-ataque colérico.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da empreitada de Flávio, foi às redes sociais para carimbar o PSD como uma reles “linha auxiliar do PT”, acusando o sistema de ter se unido contra a candidatura familiar por “sentir-se ameaçado”.
O próprio Flávio Bolsonaro, visivelmente afetado pela declaração e abandonando a linha de cautela que vinha mantendo para preservar pontes de segundo turno, também acionou os seus perfis digitais.
Em um tom inflamado, o filho do ex-presidente disparou acusações contra os “candidatos que se dizem de direita”, afirmando que a sua disputa seria “para resgatar o Brasil do cativeiro, e não pelo poder”, uma retórica pobre que apenas escancarou o incômodo com a perda de apoio da classe política tradicional.
O troco de Caiado: “ Estão apavorados ” Se a intenção do PL era acuar a chapa do PSD e enquadrá-la no carimbo “de esquerda”, o tiro saiu pela culatra, e com estrondo.
No último domingo (16), durante o seu primeiro ato oficial de campanha em solo goiano, Ronaldo Caiado não apenas dobrou a aposta como ridicularizou abertamente a reação raivosa de Flávio e de seus aliados.
Sem meias palavras, o ex-governador de Goiás classificou as notas raivosas e os desabafos nas redes como um claro “momento de desespero” da candidatura do PL.
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