Cocaína camuflada em cosméticos, tecidos e até cera de abelha: entenda nova técnica em ascensão no tráfico internacional
Parece xampu, mas é cocaína: operação secreta rastreia carga do Brasil até Berlim A apreensão de uma carga de 403 litros de shampoo que saiu do Brasil rumo à Alemanha revelou uma estratégia cada vez mais sofisticada usada pelo tráfico internacional de drogas: a chamada camuflagem química.
A técnica consiste em ocultar cocaína em produtos aparentemente comuns, como cosméticos, tecidos, plásticos e até cera de abelha, dificultando a identificação da substância durante o transporte.
O esquema foi descoberto durante uma investigação da Polícia Federal que acompanhou, por cerca de um mês, a trajetória de uma remessa de produtos de higiene pessoal enviada do Aeroporto Internacional de Guarulhos para Berlim, com escala em Lisboa.
Segundo os investigadores, a empresa fabricante dos cosméticos não tinha participação na fraude.
Os produtos eram retirados legalmente da fábrica, adulterados por criminosos e depois exportados.
Parece xampu, mas é cocaína: operação secreta rastreia carga do Brasil até Berlim Uma droga escondida à vista de todos A investigação começou após uma denúncia de que cosméticos brasileiros estariam sendo contaminados e enviados à Europa.
Quando o alerta chegou às autoridades, duas remessas já haviam sido despachadas para a Alemanha.
A Polícia Federal decidiu então monitorar uma terceira carga para entender como o esquema funcionava.
Os agentes acompanharam a retirada de 403 litros de shampoo da fábrica, monitoraram a passagem da carga por um imóvel alugado em Diadema, na Grande São Paulo, e seguiram todo o trajeto até o embarque em Guarulhos.
A operação contou ainda com a colaboração das polícias de Portugal e da Alemanha.
Segundo o delegado Felipe Lavareda, os produtos saíam da fábrica sem qualquer irregularidade.
"Ela só vendia o seu produto.
Ele era então retirado da fábrica dela, contaminado e exportado", afirmou o delegado.
O que é a camuflagem química A técnica consiste em misturar ou incorporar a cocaína a outros materiais, de forma que a droga deixe de ser facilmente identificável em inspeções convencionais.
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