Quando falar ao mercado pode se tornar um problema concorrencial
O princípio da transparência está geralmente associado ao bom funcionamento dos mercados.
Além das demonstrações financeiras obrigatórias, executivos e representantes das empresas divulgam resultados, projeções e estratégias por diferentes canais de comunicação com o mercado, como teleconferências com investidores, entrevistas e apresentações públicas.
Em muitos casos, essas informações reduzem assimetrias, auxiliam investidores e consumidores e contribuem para decisões econômicas mais eficientes.
Sob a ótica concorrencial, porém, mais informação nem sempre significa mais competição.
Uma empresa pode revelar publicamente informações sobre preços futuros, capacidade, produção, descontos ou estratégias comerciais que também são valiosas para seus concorrentes.
A comunicação pública pode, assim, reduzir a rivalidade e facilitar a coordenação entre empresas, mesmo sem reuniões secretas, mensagens privadas ou qualquer acordo explícito.
Conforme levantamento do Departamento de Estudos Econômicos do Cade (DEE/Cade) , a prática pode reduzir a incerteza entre concorrentes, facilitar a coordenação tácita e até servir ao monitoramento ou à sustentação de condutas colusivas preexistentes.
A literatura antitruste trata o problema como revelação unilateral de informações com efeitos anticompetitivos, e a questão vem ganhando espaço no debate internacional e também no Brasil.
O ponto central é que, em um mercado competitivo, cada empresa decide preços, investimentos, capacidade e demais estratégias sem saber exatamente o que seus concorrentes farão.
Essa incerteza estratégica é inerente ao processo competitivo, e comunicações públicas dessa natureza podem justamente contribuir para reduzi-la.
Considere duas empresas que avaliam aumentar preços.
Se nenhuma conhece antecipadamente a decisão da outra, elevar unilateralmente o preço envolve o risco de perder clientes.
Agora imagine que a empresa líder do mercado anuncie publicamente: “pretendemos aumentar nossos preços no próximo trimestre, desde que o restante do mercado acompanhe”.
A comunicação altera o problema estratégico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.