Pato-mergulhão usa cupinzeiro como ninho na Serra da Canastra em registro inédito para a ciência
Pato-mergulhão usa cupinzeiro como ninho na Serra da Canastra em registro inédito Considerada uma das aves aquáticas mais ameaçadas do planeta e carinhosamente batizada de "Embaixadora das Águas Brasileiras", o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) acaba de revelar um segredo até então desconhecido pela ciência. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Pesquisadores do programa EcoMergus Canastra registraram, na Serra da Canastra (MG), um casal da espécie utilizando a cavidade no interior de um cupinzeiro como ninho – situado em área de cerrado e afastado do leito do rio.
Historicamente, a literatura científica descreve o pato-mergulhão nidificando apenas em fendas de rochas, barrancos ou cavidades em árvores nativas sempre muito próximas a cursos d'água transparentes.
O achado, acompanhado pelo segundo ano consecutivo (2025 e 2026), é considerado o primeiro relato documentado no mundo desse tipo de sítio reprodutivo para a espécie.
Casal de pato-mergulhão escolheu cavidade no interior de um cupinzeiro para nidificar na Serra da Canastra (MG) Guilherme Yoshi "Esse registro é extremamente relevante porque representa um comportamento reprodutivo nunca antes documentado no pato-mergulhão.
A utilização de um cupinzeiro como local de reprodução torna essa observação o primeiro relato conhecido para a espécie", explica Alexandre Resende, médico-veterinário e Coordenador-Geral do EcoMergus Canastra, que atua na conservação do animal desde a criação do Plano de Ação Nacional (PAN/ICMBio) em 2006.
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Entre as hipóteses avaliadas pelos pesquisadores para essa escolha incomum estão a limitação de cavidades tradicionais na área ou as próprias vantagens estruturais do cupinzeiro, como estabilidade térmica para os ovos, proteção contra tempestades e ausência do risco de inundações súbitas provocadas pelas cheias dos rios.
Presença do pato-mergulhão sinaliza rios extremamente limpos e preservados Guilherme Yoshi Outro detalhe curioso observado no local foi a presença de uma colônia de abelhas associada ao mesmo cupinzeiro, o que levanta a hipótese de que os insetos possam atuar involuntariamente como uma barreira de proteção extra contra predadores.
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