Educação é investimento, ‘não mais um gasto no orçamento’, defende presidenta da UNE
Faltam menos de dois meses para o primeiro turno das eleições no Brasil, e o tema da educação será, como sempre, uma das pautas de maior interesse do eleitorado, com debates que vão do uso exagerado da tecnologia, com plataformização do ensino e Inteligência Artificial, até os temas tradicionais como valorização da carreira docente e estrutura das escolas.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, conta que o movimento criou uma agenda de avanços para o Brasil, que vai além de uma plataforma de governo e traz vários elementos das lutas reivindicatórias dos estudantes. Para ela, a UNE sempre teve essa característica, o que explica sua longevidade: “não se restringir à sala de aula”.
“Apesar de, por óbvio, partir da educação, tratar de outros temas como o aprofundamento da nossa democracia e a consolidação da soberania nacional. A plataforma fala desde a necessidade de valorização dos estudantes estagiários, mas fala da importância da exploração soberana dos minerais de terras raras”, exemplifica em entrevista ao Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato .
Dentre os pontos da agenda da UNE , destacam-se: 10% do PIB para educação pública, mais transparência no financiamento e fortalecimento do Sistema Nacional de Educação; recomposição orçamentária e reforma no modelo de financiamento e gestão das Universidades e Institutos Federais; proteção das cotas e tornar assistência estudantil como política de Estado; perdão de dívidas estudantis e fim de taxas abusivas no ensino privado; além de temas além da educação, como a defesa da soberania nacional, recomposição dos direitos trabalhistas e o fim da escala 6×1.
Com relação ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ( Ideb), divulgado na última quarta-feira (5), Borges defende que a educação precisa ser encarada como investimento e não “mais um gasto no orçamento”.
“A gente precisa compreender a educação como elemento estratégico do país. Nós tivemos vigente durante mais de 10 anos um Plano Nacional de Educação que previa que 10% do PIB deveria ser destinado para a educação pública, mas isso nunca aconteceu. Nosso investimento em educação nunca ultrapassou 5,5% do PIB”, critica.
“No último ano, tivemos uma grande batalha no Congresso e aprovamos o novo Plano Nacional da Educação, mantendo essa meta, mas a gente precisa que essa meta se concretize.
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