Contas da IFI divergem do governo e preveem déficit primário de R$ 86,1 bi em 2027
O governo envio ao Congresso no final de agosto o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027, que é a proposta de planejamento orçamentário para o ano seguinte, mas relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) alerta que o cumprimento formal da meta fiscal, embora permaneça possível no próximo ano, depende de premissas “otimistas” apresentadas pelo governo federal.
O 116º Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), referente a setembro, comenta que a política fiscal tem ocupado espaço importante no presente debate da sucessão presidencial.
E que há consciência crescente na sociedade sobre a rigidez orçamentária, o baixo espaço para investimentos essenciais, os efeitos deletérios do desequilíbrio fiscal, suas implicações na carga tributária e na taxa de juros.
Por conta disso, dentro de suas atribuições legais, a IFI decidiu apresentar projeções alternativas, explicitando suas premissas e parâmetros usados.
As divergências com os números apresentados no PLOA 2027 já se manifestam em relação à própria projeção do resultado primário efetivo a ser alcançado no próximo ano.
A proposta de orçamento prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, a Instituição estima um déficit primário de R$ 86,1 bilhões — uma diferença expressiva de R$ 104,8 bilhões.
Leia também: PLOA 2027: R$ 9,1 bi estão reservados para reajuste a servidores A divergência, segundo o órgão de acompanhamento fiscal, está nos parâmetros macroeconômicos utilizados.
O PLOA 2027 está ancorado numa projeção de expansão do PIB de 2,5%, enquanto a IFI projeta um crescimento de 1,8% e o Boletim Focus, de 1,5%.
“Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas”, diz o relatório.
IPCA, massa salaria e despesas Outra variável importante na construção da estrutura do orçamento é a inflação.
Enquanto o governo estima um IPCA de 3,6% no próximo ano em sua proposta orçamentária, a IFI projeta 4,0% e o Boletim Focus, 4,3%.
Também na projeção da massa salarial, um vetor importante no cálculo da receita previdenciária, o governo usou como parâmetro um incremento de 10,1%, enquanto a IFI trabalha com uma expansão de 7,3%.
“Na projeção de despesas há discrepâncias nas estimativas dos gastos previdenciários, nas despesas com o BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais.
A IFI acredita que os números da proposta orçamentária estão relativamente otimistas.
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