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O Brasil emagrece na clandestinidade: consumo de canetas dispara, mas mais de 50% delas são irregulares

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O Brasil emagrece na clandestinidade: consumo de canetas dispara, mas mais de 50% delas são irregulares

O Brasil vive hoje um cenário curioso e preocupante: o remédio mais comentado e procurado do país é, em mais da metade das vezes, comprado fora do circuito oficial de farmácias.

Um levantamento da Scanntech mostra que o consumo de medicamentos à base de GLP-1 (a classe que inclui semaglutida e tirzepatida ) cresceu 244% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, somando mercado formal e a estimativa de consumo informal.

O ritmo variou ao longo do ano: alta de 281% no primeiro trimestre e de 217% no segundo, sempre na comparação anual.

E o canal oficial não ficou parado: as vendas em farmácias avançaram 67% no semestre, com um salto adicional de 20% do primeiro para o segundo trimestre.

O problema é que o informal cresceu mais rápido.

No primeiro semestre de 2026, 53,8% das doses de GLP-1 em circulação no país tiveram origem fora dos canais formais de comercialização, contra 46,2% vendidas em farmácias regularizadas.

Pela primeira vez, o que era exceção virou maioria.

Continua após a publicidade Como se mede o que não aparece Não existe um jeito direto de contar o que circula por fora do sistema — e é aí que mora a parte mais delicada do estudo.

A Scanntech não observa diretamente o mercado informal; ela infere sua existência observando um efeito colateral: as vendas de seringas de insulina em farmácias, que cresceram muito além do que a evolução natural do tratamento de diabetes explicaria.

Esse excedente virou um meio de estimar o volume de aplicações informais de GLP-1, feitas com produtos manipulados, importados sem registro ou adquiridos por canais não regulados.

Continua após a publicidade É um método indireto, e vale reforçar isso: a metodologia estima um comportamento de mercado a partir de uma correlação, não mede o consumo informal dose a dose.

A tendência identificada em junho, quando a fatia informal já superava 50%, se confirmou e se aprofundou na atualização mais recente — mas o número exato de 53,8% deve ser lido como uma estimativa, não como um censo.

A queda da patente e o novo apetite por preço Parte da aceleração do segundo trimestre tem uma explicação mais tangível: a perda da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026, abriu caminho para novos medicamentos comercializados a valor abaixo do praticado pelas marcas de referência até então.

A entrada de opções mais baratas parece mexer com o comportamento do consumidor por dois caminhos ao mesmo tempo: reduz a distância de preço entre o remédio formal e o informal, o que pode empurrar parte da demanda de volta para as farmácias, e ao mesmo tempo amplia a base total de interessados no tratamento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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