Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro'
Uma mulher que aguardava atendimento médico em uma clínica particular no bairro de Ponta Verde, área nobre de Maceió, acionou a Polícia Militar ontem após o médico indicar no painel da recepção que ela seria atendida no "cativeiro01".
A mulher denunciou o caso em postagem em uma rede social. O profissional foi levado à Central de Flagrantes para prestar esclarecimentos.
Segundo o boletim de ocorrência, a paciente relatou que o termo "cativeiro" ficou visível no monitor da recepção no espaço destinado à indicação do consultório de atendimento.
A mulher —que se declara negra— e o marido, que a acompanhava no local, afirmaram à polícia que interpretaram a situação como um ato de racismo, ressaltando que outro paciente foi chamado na tela para a "sala vip01".
A paciente contou à polícia que, mesmo constrangida, realizou a consulta com o médico, que pediu desculpas pelo termo utilizado no sistema.
Apesar do pedido de desculpas, o marido da paciente acionou a PM e apresentou uma fotografia do painel eletrônico comprovando a exibição da palavra. Na imagem, é possível verificar que pacientes chamados anteriormente também tiveram a indicação do consultório alterada para termos como "cafofo" e "sala vip".
Em depoimento à polícia, o médico declarou que costumava cadastrar expressões como "sauna" e "cativeiro" no sistema interno como uma forma de descontrair o ambiente de trabalho, alegando que não conhecia a paciente antes do atendimento.
O profissional afirmou ainda que não tinha visão da mulher antes de chamá-la pelo painel e sustentou que a inclusão do termo não teve conotação racista.
O boletim de ocorrência registra que a equipe policial esteve no local e constatou que o consultório do médico não possui visibilidade para a sala de espera.
Funcionários e outros pacientes ouvidos pelos militares confirmaram que o médico costumava fazer alterações semelhantes no sistema com frequência e que a prática não foi exclusiva para o caso em questão.
O casal informou que formalizará a denúncia nesta segunda-feira na Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina, na capital alagoana.
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