Hora de vender? BofA vê 2 riscos para bolsa
O Bank of America (BofA) segue com recomendação marketweight (neutra) para o Brasil, refletindo uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos. “A incerteza fiscal após as eleições continua sendo a principal preocupação”, acrescenta.
De acordo com os analistas do banco, a incerteza continua elevada no Brasil , mas houve uma melhora marginal nos fatores técnicos do mercado brasileiro.
O Ibovespa (IBOV) acumula queda de cerca de 9% em relação às máximas registradas neste ano, movimento que ajudou a tornar os preços mais atrativos. Segundo o banco, o índice, excluindo as empresas de commodities, é negociado com desconto de 15% em relação às médias históricas .
Além disso, o fluxo de saída de investidores estrangeiros perdeu força nas últimas semanas, o que é visto como um sinal positivo para a bolsa.
Ainda assim, a avaliação do BofA é de que o ambiente macroeconômico permanece frágil. Os analistas destacam a piora dos indicadores de crédito , a temporada de balanços considerada abaixo do esperado e a baixa confiança dos investidores em relação ao mercado brasileiro.
Na América Latina, o banco reduziu à exposição a México, rebaixando a recomendação de neutra para underweight (venda) , diante da atividade econômica mais fraca, da incerteza em relação aos investimentos relacionados ao acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) e das preocupações fiscais.
Por outro lado, o BofA adotou uma visão ligeiramente overweight (compra) nos países andinos , aumentando a exposição ao Peru, enquanto a recomendação de Argentina segue de compra.
O BofA considera que a política monetária permanece restritiva no país, com o Banco Central (BC) enfatizando a necessidade de manter as expectativas de inflação ancoradas, apesar dos sinais de moderação da atividade e de alívio na inflação.
“Esperamos mais um corte de juros antes de uma pausa prolongada , com a Selic encerrando 2026 em 13,75% , recuando para 12,75% em 2027 e 11,75% em 2028 “, afirma.
No entanto, o banco avalia que com os dados mais benignos da inflação e desaceleração econômica, o cenário de mais reduções no juro básico está ganhando força.
O BofA afirma que a atenção está cada vez mais voltada para as eleições brasileiras de 2026 , com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno em 25 de outubro .
“Na economia, a política fiscal continua sendo a principal questão, uma vez que o aumento da dívida pública exige um ajuste relevante. No entanto, a estrutura rígida de gastos do Brasil limita o espaço para uma consolidação fiscal “, avalia o banco.
Com as eleições no radar, o BofA avalia que a visão neutra para o Brasil pode ser desafiada por resultados eleitorais e pela percepção do mercado em relação às propostas dos candidatos.
No atual cenário, o banco tem preferência por empresas líquidas de grande capitalização, capazes de gerar fluxo de caixa em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
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