Fascisminho de esquerda
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
"Fascisminho de esquerda." A sentença foi dada por Wagner Moura , sem nenhuma hesitação, numa conversa com o jornalista Pedro Bial . Uma crítica direta ao identitarismo, mais especificamente ao autoritarismo ao qual uma ala progressista sucumbiu ao abraçar e colocar em prática os mesmos métodos autoritários que jura combater.
Não é novidade que personalidades da esquerda tenham apontado que a truculência passou a fazer parte do modus operandi de alguns de seus setores —ainda que seus militantes jurem que isso não acontece. O que é absolutamente novo é que Wagner Moura esteja vivo, que não tenha sofrido um único arranhão com a declaração. Não foi chamado de "macho branco privilegiado", não foi alvo de 200 manifestos de repúdio ou de mutirões de cancelamento.
Moura viaja com a peça "Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo" , adaptada do clássico do norueguês Henrik Ibsen , escrito em 1882. Assisti à estreia no Rio e a sensação de déjà-vu é assustadora. A trama do homem transformado em ameaça por ousar dizer verdades incômodas contra o consenso de uma maioria histérica é o retrato cuspido e escarrado do nosso tempo.
Vivemos a distopia em que o livre pensamento sofre constante interdição. Além da própria verdade, o alvo virou qualquer reflexão, obra ou conduta que fuja da cartilha ideológica carimbada, seja ela chancelada pela direita ou pela esquerda. Livros, músicas, trabalhos acadêmicos e debates inteiros são marcados com tarjas morais, soterrados por patrulhas que exercitam o autoritarismo fantasiado de virtude.
É precisamente aí que os dois extremos se mostram cada vez mais iguais. Compartilham a mesma obsessão pela pureza ideológica, o mesmo pavor das nuances e a mesma urgência em aniquilar quem diverge minimamente. Sabemos o que acontece com quem ousou fazer a crítica ensaiada por Wagner Moura. Intelectuais, jornalistas e artistas têm sido execrados, linchados e banidos do círculo progressista e do debate público. O ator passou incólume porque a patrulha não é boba e sabe com quem pode ou não mexer.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.