Luta pelo poder
Uma crise avança como rio de enchente pela Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Governo, Supremo Tribunal Federal e Congresso estão em conflito, enredados numa profusão de investigações criminais por corrupção com patrocínio e beneficiários políticos — fraudes bilionárias no Banco Master, no INSS e nas emendas parlamentares ao Orçamento, entre outras.
Esses múltiplos inquéritos já desenhavam contornos de uma liquefação, reafirmada em plena campanha eleitoral com o inédito manifesto dos chefes da Polícia Federal em 26 estados e no Distrito Federal.
É uma grande confusão institucional na qual predominam interesses privados dos dois candidatos mais destacados nas pesquisas sobre a disputa para a Presidência da República: Lula , que tem um dos filhos sob investigação nas maracutaias do INSS; e, Flávio Bolsonaro, que já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do Banco Master, preso por trapaças em série.
Na superfície, o manifesto dos delegados federais faz uma crítica velada — e sem mencionar a instituição — ao juiz André Mendonça, designado no Supremo para supervisionar os casos de maracutaias bilionárias no Banco Master e no INSS.
O juiz Mendonça é visto no Palácio do Planalto e na cúpula da Polícia Federal como um aliado do clã Bolsonaro, responsável por sua indicação ao STF em 2021.
Meses atrás, ele proibiu investigadores dos casos Master e INSS de relatar resultados das apurações aos respectivos chefes sem a sua permissão.
Continua após a publicidade A mensagem foi interpretada no governo pelo viés da suspeição do juiz em relação ao delegado Andrei Rodrigues, que recebeu de Lula o comando da PF em reconhecimento à fidelidade demonstrada na campanha eleitoral de 2022 contra Jair Bolsonaro.
Não se trata de um embate personalista.
É reação institucional às revelações sobre interesses oligárquicos no controle da República.
“Manifesto de chefes da PF mostra a dimensão da crise nos Três Poderes” Continua após a publicidade O caso Master é exemplar.
Com alguns juízes e familiares enlaçados na contabilidade do banco das fraudulências, o Supremo emitiu decisões acirrando conflitos até então encobertos com a Procuradoria-Geral da República, o Banco Central , a Receita, a PF e o Coaf.
No governo, culpa-se a Comissão de Valores Mobiliários, vinculada ao Ministério da Fazenda , de omissão no controle de fundos de investimentos do Master e associados, manipulados por facções do crime organizado.
No Congresso, onde o Master enriqueceu alguns e privilegiou outros com milionárias mordomias, criticam-se os erros e a letargia do governo em liquidar um banco pequeno com negócios de alto risco para o sistema financeiro.
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