Uma eleição presidencial sem debate e sem esperança
Estamos a pouco menos de 50 dias de uma eleição presidencial que definirá os rumos do Brasil nos próximos anos e é um espanto constatar a absoluta ausência de debate consistente sobre os grandes desafios do país, da educação às contas públicas. O país está na UTI, e os candidatos à presidência e ao Congresso Nacional parecem ignorar os sinais alarmantes: a evolução da dívida pública, o recorde nas recuperações judiciais, o endividamento das famílias, a violência e os desafios externos.
Nos anos 50, um dos principais políticos do país, Oswaldo Aranha, dizia que o Brasil era um deserto de homens e ideias. Ele havia atuado como ministro com perfil técnico em diversas áreas do governo, no cenário complexo após a crise de 1929, enfrentando inflação, dívidas e crises econômicas, e estava desencantado no final da Era Vargas, após décadas de vida pública. Hoje talvez ele cairia em prantos.
O déficit nominal do setor público chegou a R$ 1,2 trilhão, o equivalente a 9,6% do PIB. As famílias estão sob pressão: em junho, 81% dos lares brasileiros tinham alguma dívida a vencer e praticamente um em cada três lares (29,9%) estava inadimplente. O Brasil fechou 2025 com um recorde histórico de recuperação judicial, somando 5,6 mil companhias nessa situação, uma alta de 24% em relação a 2024.
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