Aliados patinam em pesquisas a governos do NE e apostam em Lula para virada
A campanha eleitoral começa oficialmente hoje, e a maioria dos candidatos a governos estaduais apoiados pelo presidente Lula no Nordeste enfrenta dificuldades eleitorais, largando na corrida atrás ou empatados nas pesquisas de intenção de voto.
A coluna verificou a situação dos aliados nos nove estados da região, onde apenas um candidato está à frente, fora da margem de erro, nas pesquisas: Piauí. Nos demais, a grande aposta é o "efeito Lula" na campanha para tomarem a ponta.
Em 2018, aliados de Lula venceram as eleições nos nove estados da região pela primeira vez. Em 2022, foram oito vitórias: apenas Raquel Lyra (então no PSDB e hoje no PSD) furou a lista —ela apoiou naquele primeiro turno Simone Tebet (então no MDB) e no segundo ficou neutra.
Nos três maiores colégios eleitorais da região, o PT tem candidato próprio em dois: Bahia e Ceará, que são considerados como prioritários —não à toa, Lula foi pessoalmente às convenções do partido em Fortaleza e Salvador.
A situação mais complicada, segundo as pesquisas, é no Ceará. Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira aponta uma vitória em primeiro turno do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com 52% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT).
Outras pesquisas também apontam vantagem de Ciro, mas sempre com menor diferença.
No lado petista, a aposta é clara: o início da campanha é decisivo para "colar" o nome de Elmano ao de Lula e ligar Ciro ao bolsonarismo —que já repetiu várias vezes que não vai pedir voto para Flávio e que a aliança com o PL é apenas local.
Na Bahia, o cenário é de empate técnico em praticamente todas as pesquisas entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
A tônica por lá deve ser a mesma da eleição passada, quando o petista levou a melhor no segundo turno contra ACM. Neste ano, porém, Jerônimo vai para a disputa acompanhado de dois petistas-raiz que disputam o Senado na chapa: Rui Costa e Jaques Wagner.
Em Pernambuco, o PT não terá candidato e decidiu pelo apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) contra a governadora Raquel Lyra. João também busca colar em Lula e publicou, nesta sexta-feira, imagens de gravação que fez com o presidente.
A participação de Lula no estado deve ser protocolar, já que ao longo dos últimos três anos Raquel fez muitos elogios ao presidente e é vista pelo Planalto como uma parceira. A ordem dada nos bastidores é pedir votos para João, sem atacar diretamente a chefe do Executivo —Raquel não deve declarar voto presidencial nesta eleição.
A situação no estado também é curiosa porque alguns nomes do PT apoiam a reeleição da governadora, que tem na chapa um candidato ao Senado de esquerda: o deputado federal Túlio Gadelha (PSD).
Segundo pesquisas, Raquel lidera, mas sempre dentro do limite da margem de erro. No último Datafolha, divulgado em 3 de agosto, ela tinha 48%, contra 42% de João .
No Rio Grande do Norte, onde o PT governa há sete anos, o cenário é visto como delicado para o candidato Cadu Xavier (PT), ex-secretário estadual da Fazenda, que aparece na terceira posição na maioria das pesquisas.
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