Por que o otimismo do setor de infraestrutura caiu 16 pontos no 1º semestre de 2026
Trecho em obra da Serra das Araras: rodovia ficará pronta em 2027, dois anos antes do previsto, diz CEO da Motiva Rodovias (Motiva/Divulgação)
O setor de infraestrutura brasileiro entrou no primeiro semestre de 2026 com uma mudança relevante de percepção sobre os próximos meses.
A parcela dos entrevistados que considera favorável o cenário para novos investimentos caiu de 54,2% no segundo semestre de 2025 para 37,8%, uma redução de 16,4 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, a avaliação desfavorável subiu de 20,4% para 30,9%.
A explicação apresentada pelo setor passa por uma combinação de fatores domésticos e externos. Eleições , guerra no Oriente Médio, inflação, juros, preço do petróleo, custos de logística, protecionismo comercial e reforma tributária estão entre os elementos apontados por Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura, para explicar a maior cautela dos agentes.
O movimento ocorre apesar de o país ter encerrado 2025 com volume recorde de recursos destinados à infraestrutura. Os investimentos públicos e privados chegaram a R$ 280,4 bilhões no ano passado, maior valor da série histórica iniciada em 2010, com o setor privado responsável por R$ 220,5 bilhões, ou 78,6% do total.
O contraste ajuda a delimitar o resultado da pesquisa: a piora está na percepção sobre as condições para novos investimentos nos próximos seis meses, enquanto os investimentos realizados permanecem em patamar elevado.
Os números fazem parte da 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura , pesquisa semestral da Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (ABDIB) em parceria com a EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da EY, divulgado nesta quarta-feira, 12. O levantamento ouviu 233 gestores, investidores e especialistas entre 8 e 23 de junho de 2026.
“Esse recuo relevante da percepção favorável interrompe a trajetória de recuperação observada na edição anterior. O resultado sugere um ambiente mais cauteloso, em que a expectativa de continuidade dos investimentos permanece presente, mas com menor convicção quanto às condições de promoção de novos projetos no curto prazo”, afirma Gusmão.
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