Justiça aceita denúncia contra médica após morte de seis crianças; mães revelam detalhes de rotina na UTI
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR) contra uma médica acusada de homicídio culposo pela morte de seis crianças e recém-nascidos que estavam internados na UTI Pediátrica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com a decisão, a profissional passa à condição de ré e começa a responder a uma ação penal .
A denúncia foi oferecida pelo MPPR no dia 14 de agosto e recebida pela Justiça em 17 de agosto. O caso tramita sob sigilo.
Segundo o Ministério Público, as mortes aconteceram entre maio e julho de 2024 e estariam relacionadas a uma contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes. Os pacientes teriam sofrido choque séptico e falência múltipla de órgãos.
A médica ocupava, na época, a direção técnica da UTI Pediátrica. Para a Promotoria, ela teria cometido “grave negligência técnica” ao não fiscalizar e garantir o cumprimento de protocolos básicos de assepsia e biossegurança na unidade.
Conforme a denúncia, a investigação identificou práticas que poderiam ter favorecido a chamada contaminação cruzada entre os pacientes.
Entre os problemas apontados estão a reutilização de luvas de procedimento entre pacientes, falhas de higiene, manejo inadequado de tubos de intubação e acessos venosos, além de problemas relacionados à higiene das crianças.
A acusação sustenta que, por exercer a direção técnica da unidade, cabia à médica fiscalizar e assegurar que os procedimentos necessários para reduzir os riscos de infecção fossem cumpridos.
Em entrevista à Ric RECORD, mães de crianças que estavam internadas na UTI durante o período investigado relataram episódios que viveram.
Uma delas é Gardênia, mãe de Pietra, que morreu após passar cerca de 20 dias na UTI do Hospital Angelina Caron. Segundo o relato, a menina teria ficado com fezes no corpo após um atendimento de higiene.
A mãe também relatou problemas relacionados à frequência de banhos e à troca de roupas de cama durante a internação.
“Eu não consigo lembrar assim da quantidade de banhos que a Pietra teve no período de internamento, mas foi coisa tipo assim de 20 dias e 5 banhos”
Outra mãe ouvida pela reportagem foi Suelen, cuja filha Monique, de 10 meses, fazia tratamento para um problema cardíaco. Segundo ela, a bebê desenvolveu feridas na boca e nas costas enquanto estava internada .
“A minha filha ficava no primeiro leito, do lado da Pietra. A minha filha não tinha higiene nenhuma naquele hospital, nenhuma. E quando você ia questionar, a gente nunca tinha sucesso, porque a gente é mãe, a gente tá nervosa, gente tá sem cabeça” , disse Suelen.
Os relatos das famílias também mencionaram problemas relacionados à higiene e à troca de luvas pelos profissionais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.