ES nunca elegeu dois senadores de esquerda e centro-esquerda de uma vez. Será agora?
No Senado da República, cada uma das 27 unidades da federação tem direito a três senadores, totalizando 81. Está no artigo 52 da Constituição Federal, que dispõe sobre o Senado: “A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços”.
Isso significa que, a cada quatro anos, os eleitores vão às urnas para escolher senadores, em quantidade alternada. Se na eleição deste ano cada unidade elege dois, na próxima, daqui a quatro anos, cada qual elegerá só um; na seguinte, outros dois, e assim sucessivamente.
No caso concreto, na eleição deste ano, cada unidade escolherá dois senadores. Pela mesma razão, no dia 4 de outubro, cada eleitor poderá votar em até dois candidatos a senador. Como o leitor já terá concluído, isso só ocorre a cada oito anos.
Desde a redemocratização do país (1985), foram cinco os pleitos em que cada estado elegeu dois senadores: 1986, 1994, 2002, 2010 e 2018. Em nenhum deles, o Espírito Santo elegeu dois senadores de esquerda ou centro-esquerda.
Portanto, na Nova República, o Espírito Santo jamais elegeu, de uma só vez, dois senadores do chamado “campo progressista”. Vejam:
Não estou dizendo que vai acontecer, apenas que existe uma possibilidade real, uma vez que o páreo para o Senado no Espírito Santo inclui dois candidatos competitivos, respectivamente, de esquerda e de centro-esquerda: Fabiano Contarato (PT) e Renato Casagrande (PSB).
Nos bastidores políticos capixabas, o ex-governador é tido, até por opositores, como favoritíssimo para ficar com uma das duas vagas em jogo. A última pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta, divulgada no dia 16 de julho, trouxe Casagrande na liderança de todos os cenários estimulados testados .
No mais próximo do que se concretizou (com os 11 candidatos efetivamente registrados, exceto Rodney Miranda), o socialista despontou com 31% das intenções de voto. A segunda, Rose de Freitas (MDB), apareceu com 12%.
Já Contarato, na mesma sondagem, provou que larga com chances de brigar pela segunda vaga : no cenário mais próximo do que se confirmou, ficou com 9% das intenções estimuladas, tecnicamente empatado com outros postulantes – todos embolados e na briga pelo segundo lugar.
Contarato, em minha avaliação, pode se beneficiar de um fator conjuntural: o caminho praticamente livre para ele na raia da esquerda, em contraste com uma pista bastante obstruída na direita, com muitos candidatos desse campo concorrendo entre si.
Do lado esquerdo, afora o Professor Fabian (PSol), Contarato é o único candidato ao Senado genuinamente de esquerda. E até o PSol indicou o segundo voto em Contarato.
Enquanto isso, do lado direito, a “concorrência interna” é grande: Maguinha Malta (PL), Evair de Melo (Republicanos), Marcos do Val (Avante), Wellington Callegari (DC), Leonardo Monjardim (Novo)... Sérgio Meneguelli (PSD) não é de direita, mas pode também beliscar votos de parte desse eleitorado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.agazeta.com.br — o conteúdo pertence a A Gazeta (ES).