IA acelera ascensão do profissional de alto impacto nas empresas
Pela primeira vez, profissionais com domínio em algum produto, mercado ou operação conseguem produzir apenas com apoio de inteligência artificial (IA) resultados que antes exigiam um time inteiro.
Esse movimento já tem nome no mercado global, o High-Impact Individual Contributor (HI-C) , ou, traduzindo para o português, o novo profissional de alto impacto.
A ideia funciona no cruzamento de três fenômenos que já aparecem em relatórios de consultorias, pesquisas e, principalmente, na experiência prática de executivos de tecnologia: o achatamento das estruturas de gestão, a ascensão de contribuidores individuais que conseguem se alavancar com IA e a virada do prompt engineering para a automação de fluxos operacionais inteiros.
A pergunta que guia a carreira de TI deixa de ser “como subo mais um degrau” e passa a ser “onde consigo gerar mais impacto com a autonomia e ferramentas que já possuo”.
A Gartner , consultoria global de tecnologia, projeta que, até 2026, 20% das organizações vão usar IA para eliminar mais da metade de seus cargos atuais de gestão intermediária, parte do que a própria consultoria chama de “achatamento” da hierarquia corporativa, descrito no relatório de previsões “AI’s Impact on the Future of Workforce” , publicado em novembro de 2025.
Cristiano Kruel , CIO da StartSe , vê essa mudança como consequência de um efeito em cadeia, que começa dentro da própria área de tecnologia.
“A primeira grande indústria a ser transformada por IA é a TI.
E à medida que ela transforma a TI, ela acaba transformando todas as profissões, todos os trabalhos, todas as empresas, porque ninguém vive sem conhecimento e sem software”, afirma.
O valor do alto impacto O McKinsey & Company , em seu relatório The Economic Potential of Generative AI: The Next Productivity Frontier , publicado em 2023, estima que a IA generativa pode adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano à economia global, com cerca de 75% desse valor concentrado em atendimento ao cliente, marketing, vendas e engenharia de software e P&D.
Luís Vabo Júnior , fundador da Vabo23 Educação , diz que esse tipo de ganho de escala só se sustenta quando vem acompanhado de uso consciente da ferramenta, deixando uma reflexão que nem todo ganho financeiro vale o uma boa qualidade e olhar humano.
“Sou super a favor da inteligência artificial, sou heavy user, uso todos os dias, mas ela não virá para substituir aquele profissional que tem um bom pensamento crítico”, declara.
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