Lula não soube lidar com classe C que ele mesmo criou, diz pesquisador
O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, aponta que, nas eleições deste ano, principalmente nos estados, sairão na frente os candidatos que chamarem a população para participar das decisões de seus governos para a vida real.
Em seu recém-lançado livro O Brasil da maioria , o pesquisador se debruça sobre a ascensão e a estagnação, nos últimos 25 anos, da classe C, à qual pertencem hoje mais de 100 milhões de brasileiros.
Esse segmento é a maioria absoluta do eleitorado, espremida entre quem recebe auxílio diretamente de programas sociais do Estado e os mais ricos, que têm capital próprio e quase não dependem de serviços públicos.
“Na hora que essa fatia da população precisa que o Samu chegue no momento certo, o Estado falta.
Quando ela vai abrir seu pequeno negócio, sobra o Estado com a burocracia”, diz Meirelles.
Estudioso desse recorte socioeconômico, Meirelles lembra que, nos dois primeiros governos de Lula , de 2003 a 2010, a classe C votou em peso no petista por ver em sua plataforma a chance de seus filhos chegarem às universidades, da conquista da casa própria e de seus pequenos negócios crescerem graças ao aumento real do salário mínimo.
Daí, nasceu uma nova geração, que não tem memória da pobreza que seus pais viveram e nem tampouco é elegível para programas sociais.
Continua após a publicidade Esses jovens se identificam, muitas vezes, com ideias liberais na economia e com o empreendedorismo, ao mesmo tempo em que veem o Estado e sua burocracia como barreiras, em vez de suportes.
“Lula não aprendeu a lidar com a classe C que ele mesmo criou”, afirma o pesquisador.
A classe C não é homogênea, explica o presidente do Instituto Locomotiva.
“Mulheres lideram 53% dos lares desse segmento.
São elas que querem saber concretamente se vai ter vaga ou não na creche.
São elas que utilizam serviços públicos.
Quando o homem vai na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), vai levado pela mulher.
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