Quem é Mohsen Rezaei, o novo chefe de segurança do Irão procurado pela Interpol?
Mohsen Rezaei, uma das figuras fundadoras do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, passando a deter autoridade formal sobre o órgão responsável pelas decisões estratégicas de Teerão.
A nomeação foi feita por decreto presidencial assinado por Masoud Pezeshkian no domingo.
Umas horas antes, o aiatola Mojtaba Khamenei tinha nomeado Rezaei como seu representante pessoal no conselho.
Com quase cinco décadas no topo do aparelho de segurança e militar da República Islâmica, Rezaei, de 71 anos, sucede a Mohammad Bagher Zolghadr, comandante veterano da Guarda Revolucionária que se demitiu após cerca de quatro meses no cargo e foi nomeado conselheiro político de Khamenei.
Rezaei, de nome de nascimento Sabzvar, nasceu em 1954 na província de Khuzestan, numa família tribal bakhtiari.
Inicialmente ativista político contra o regime do xá Reza Pahlavi, no início da década de 1970, Rezaei foi detido pela agência de inteligência do xá, a SAVAK, e preso em Ahvaz.
Foi um dos fundadores do grupo armado Mansouroun, que ajudou a lançar as bases para a Organização dos Mojahedin da Revolução Islâmica.
Após a revolução de 1979, Rezaei integrou o conselho central da República Islâmica e fez parte de uma comissão de 12 membros que redigiu o estatuto da Guarda Revolucionária.
Em setembro de 1981, com 27 anos, o aiatola Ruhollah Khomeini nomeou-o comandante-chefe dos Guardas da Revolução.
Rezaei manteve o cargo durante 16 anos, tornando-se um dos comandantes militares com mais longevidade na história da República Islâmica, antes de abandonar a chefia em setembro de 1997.
Passou então a secretário do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, o órgão que resolve disputas entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães e define grandes linhas da política de Estado, função que desempenhou durante quase 24 anos.
Em 2021, foi nomeado vice-presidente para a Economia no governo do presidente Ebrahim Raisi, cargo que deixou em junho de 2023.
Apesar deste percurso de destaque institucional, Rezaei concorreu quatro vezes à presidência e perdeu em todas. Nas eleições de 2021, obteve 3,4 milhões de votos, menos do que o número de boletins considerados inválidos.
O nome de Rezaei tem sido associado internacionalmente ao atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu centenas, o ataque terrorista mais mortífero da história da Argentina.
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