Promessas e prioridades
Em suas campanhas eleitorais, os candidatos prometem em toneladas e entregam em quilos.
Após eleitos, as promessas de quase todos os candidatos e de quase todos os partidos políticos são lançadas nos seus respectivos baús e não nas saudosas memórias; a partir de então, surge toda sorte de desculpas, entre elas, a se destacar, jogar a culpa no seu antecessor pelo desastre que herdara.
Enquanto candidato ou candidata, o sujeito ou a sujeita se diz disposto e capacitado para solucionar todos os problemas que venha a encontrar e/ou que vierem a surgir, sobretudo os que são de responsabilidade do nosso próprio Estado: Saúde, Educação e Segurança Pública — os mais recorrentes e os mais frequentemente cobrados.
Lamentavelmente, após eleitos, os detentores dos mandatos executivos, do presidente da República aos nossos governadores e aos nossos prefeitos, antes de qualquer outra providência, são obrigados a prestar contas aos políticos e aos partidos políticos que se consideram responsáveis pelas suas eleições; caso contrário, sequer conseguem aprovar os seus projetos.
Os impeachments do então presidente Fernando Collor de Mello e da ex-presidente Dilma Rousseff não resultaram dos crimes que haviam praticado, e sim por falta de apoio da nossa Câmara dos Deputados e, em particular, do nosso Senado. A verdade foi esta.
Como somos dotados de uma legislação político-partidária-eleitoral inequivocamente anárquica, os compromissos de campanha dependem do cumprimento dos conchavos que foram estabelecidos no curso de suas próprias campanhas eleitorais.
Presentemente, o nosso panorama político é ainda pior; afinal de contas, estamos na travessia de uma radicalização política: não o lulismo e nem o bolsonarismo, e sim o anti-lulismo e o anti-bolsonarismo, ou seja, vota-se em um para derrotar o outro.
Nas eleições de 1989, a primeira após a nossa redemocratização, Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola — à época, as mais expressivas figuras do nosso ambiente político — sequer conseguiram chegar ao segundo turno da referida eleição porque foram atropelados pela dupla Lula/Collor.
Nas eleições de logo mais, a despeito de mais de uma dúzia de candidatos, apenas duas delas — a do atual presidente Lula e a do senador Flávio Bolsonaro — deveriam ser levadas a sério, já que ambas detêm mais de 90% do nosso eleitorado e o restante dos candidatos, juntos e somados, não atinge o percentual de 10%. Infelizmente, os candidatos Ronaldo Caiado e Romeu Zema estão apostando numa hecatombe eleitoral que os favoreça.
Por último, para o bem ou para o mal, nos próximos quatro anos seremos presididos por um dos polos da nossa radicalização política, ainda que não nos pareça recomendado, já que estaremos prolongando a nossa presente crise.
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