Contas a pagar por reforços explicam Flamengo pé no chão no mercado
Parte do olhar mais cauteloso do Flamengo para as opções na atual janela de transferências nasce não só do quanto o clube tem disponível em caixa para bancar compras no presente, mas do tamanho da conta já pendurada em janelas anteriores.
Segundo o balancete mais recente do clube, o Fla terminou o primeiro semestre com um saldo total de R$ 614,5 milhões a pagar em transferências.
Desse montante, R$ 312 milhões são com obrigações a curto prazo. Ou seja, ainda este ano. Outros R$ 302,5 milhões envolvem parcelas de compras que serão quitadas de 2027 em diante.
Não é que o Flamengo esteja em crise ou perto disso. Mas o clube precisa considerar o volume de investimento já feito e o quanto isso traz obrigações ainda em 2026 e num futuro próximo.
As principais operações com pendências envolvem Lucas Paquetá, Samuel Lino, Emerson Royal, Carrascal e até jogadores que já saíram ou foram emprestados, como Carlos Alcaraz e Matías Viña.
O montante geral a pagar com transferências subiu em relação a dezembro de 2025 por causa da contratação recorde de Paquetá. A operação toda custou R$ 315,6 milhões.
Passado o primeiro semestre, o Flamengo ainda tem R$ 191 milhões a pagar da negociação com Paquetá. Isso não está restrito a 2026.
Em relação a Samuel Lino, o balancete mais recente mostrou que o Flamengo ainda tinha a pagar R$ 121,5 milhões de uma transação que, ao todo, saiu a R$ 203 milhões.
Em outro movimento, que rendeu a contratação de Jorge Carrascal com o Dínamo Moscou, o Fla ainda tinha a pagar R$ 36,7 milhões. É do próprio time russo que o rubro-negro recebeu uma proposta por Gonzalo Plata. Se o negócio for adiante, é porque a maior parte da transação será paga à vista.
Segundo o Fla, o clube fechou o primeiro semestre com R$ 192,4 milhões gastos para amortização dos direitos econômicos dos jogadores. Esse montante é quanto efetivamente o clube tirou do caixa para pagar os compromissos com essa linha de despesa, independentemente de quando a contratação aconteceu.
Aumentar o endividamento com compra de jogadores é uma estratégia que o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, avisou que usaria.
Para ele, um time com faturamento do porte do Flamengo (R$ 2 bilhões no ano passado) poderia aumentar o grau de investimento e tocar a vida sem sustos. Mas para isso ter sucesso, não pode perder de vista o que já assumiu.
Até junho de 2026, o Fla registrou contabilmente um investimento de R$ 495,1 milhões em transferências. Mas esse valor não representa o efeito imediato no caixa, já que as contratações, em geral, são pagas em parcelas. Dessa lista de reforços fazem parte ainda o goleiro Andrew, o zagueiro Vitão e outras compras menores de percentuais e luvas.
E aqui vale reforçar a explicação: por regra contábil, o clube lança as operações por inteiro no balanço do respectivo ano em que elas aconteceram. Mas o efeito caixa, como se vê nas obrigações a pagar e a receber, segue seu fluxo próprio, definido em cada operação com quem estava do outro lado da mesa.
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