Ponto sem Retorno – Crítica: Jacob Elordi traz melancolia para o fim do mundo
Vou ser honesto: eu entrei em Ponto sem Retorno com o pé atrás, esperando um filme genérico pós-apocalipse igual a tantos outros, mas saí da sessão pensando exatamente o contrário: esse é, para mim, o filme de Ridley Scott mais tocante em muito tempo.
Não é o Scott perfeito, mas é o trabalho mais sensível dele desde Perdido em Marte.
Se você foi condicionado pelo trailer a esperar só tiroteio no fim do mundo, prepare-se para algo bem mais silencioso e mais bonito.
O apocalipse de Ridley Scott Nove anos depois de uma gripe pandêmica varrer quase toda a humanidade, Hig ( Jacob Elordi ) vive num aeroporto abandonado do Colorado com seu cachorro Jasper e com Bangley ( Josh Brolin ), um ex-fuzileiro que atira primeiro antes de perguntar.
Hig ainda carrega a morte da esposa e do filho que não nasceu, mas se recusa a abrir mão da compaixão.
Quando capta um sinal de rádio vindo de Grand Junction, decide voar atrás da fonte mesmo sabendo que não terá combustível para voltar.
É o “ponto sem retorno” do título, literal e emocional.
O que me ganhou foi a mudança de chave.
Scott, que construiu carreira sobre uma frieza quase cruel, entrega aqui o apocalipse mais gentil da filmografia dele: um filme sobre luto, solidão e a coragem de confiar em alguém de novo.
Elordi comove, Brolin rouba a cena O elenco está em ótima forma, e é ele que faz o filme voar.
Jacob Elordi prova que aguenta um protagonista de peso: o luto de Hig se sustenta por cenas inteiras quase sem falar, com uma alma e uma sensibilidade que dão autenticidade emocional a tudo.
Mas quem sai com o filme no bolso é Josh Brolin.
Bangley é rabugento, engraçado, perigoso e, ainda assim, humano.
O ator equilibra humor, cinismo e afeto sem nunca cair na caricatura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observatoriodocinema.uol.com.br — o conteúdo pertence a Observatório do Cinema.