Márcia Bittar elogia filho por abrir mão do Fundo Eleitoral; em 2022, ela recebeu R$ 1 milhão do Fundo Partidário
A ex-candidata ao Senado pelo Acre Marcia Espinosa Bittar, mãe do candidato a deputado federal João Paulo Bittar e ex-esposa do senador Marcio Bittar (PL), usou as redes sociais nesta segunda-feira (17) para elogiar a decisão do filho de abrir mão do Fundo Eleitoral na campanha de 2026. A manifestação contrasta com o modelo de financiamento utilizado por ela própria na disputa pelo Senado em 2022.
Marcia compartilhou o vídeo em que João anuncia a decisão de não utilizar recursos do Fundo Eleitoral e escreveu: “Criei foi um homem”. Na mesma publicação, afirmou que pretende participar da campanha do filho. “Partiu ajudar meu filho na campanha pra federal. Muito orgulhosa dele”, escreveu.
Segundo João, a decisão de permanecer na disputa e abrir mão dos recursos públicos foi tomada após conversar com o deputado federal Nikolas Ferreira e com o pai, Marcio Bittar. “Pensando nisso, eu decidi abrir mão do Fundo Eleitoral. Isso mesmo, minha campanha não será financiada com recurso público”, afirmou.
A escolha do candidato ocorre após ele declarar à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1.238.400. Entre os bens informados estão uma casa residencial avaliada em R$ 600 mil, uma participação na empresa Miva Participações e Administração Ltda., declarada por R$ 300 mil, R$ 110 mil em outras aplicações e investimentos, R$ 100 mil em renda fixa e R$ 120 mil em dinheiro em espécie.
O elogio feito pela mãe ganha um elemento de contraste quando comparado à prestação de contas da campanha dela ao Senado em 2022.
Segundo os dados apresentados na prestação de contas eleitoral, Marcia recebeu naquele ano R$ 2.107.527,25 em recursos líquidos. Desse total, R$ 1.000.873,42 foram classificados como provenientes do Fundo Partidário, o equivalente a 50,93% dos recursos recebidos.
Na mesma prestação, as despesas classificadas como provenientes do Fundo Partidário somaram R$ 835.788,99, correspondentes a 42,55% do total de despesas registradas.
A prestação de contas apresentada nas imagens consultadas não registra recursos na categoria “Fundo Especial”, utilizada para identificar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral.
A diferença, portanto, está entre as escolhas feitas nas duas campanhas: em 2022, Marcia teve R$ 1 milhão em recursos recebidos do Fundo Partidário e registrou R$ 835,8 mil em despesas vinculadas a essa fonte. Em 2026, ela comemora a decisão do filho de não utilizar o Fundo Eleitoral.
Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, porém, não são a mesma coisa. O Fundo Partidário é destinado aos partidos políticos e pode ser utilizado em diferentes finalidades previstas na legislação. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado especificamente para financiar campanhas eleitorais.
Marcia disputou o Senado pelo PL em 2022 e não foi eleita. O registro eleitoral daquele ano confirma sua candidatura pelo partido, com o número 222.
Whidy Melo é acreano de Rio Branco, repórter, documentarista, fotógrafo e videomaker.
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