IA nas eleições: 6 casos reais mostram como deepfakes já desafiaram democracias pelo mundo
'Deepfake': homem faz montagens pornográficas de jovem que ignorou cantadas dele O debate sobre desinformação eleitoral não é novo no Brasil.
Mas a disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo altamente realista elevou as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais.
Nos últimos anos, ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e vozes sintéticas, os chamados deepfakes, passaram do uso experimental para o cotidiano de milhões de pessoas.
E faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral, ainda não existem respostas definitivas sobre como garantir o uso seguro e responsável da inteligência artificial generativa.
Na quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para tentar entrar em consenso sobre a punição pelo uso de IA nas eleições.
O TSE decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu alguma irregularidade ao utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária do PL que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto no final de julho.
Ainda não foi divulgada uma nova data para a reunião.
Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos em que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas durante campanhas eleitorais nos últimos anos.
Na Irlanda, um deepfake divulgado poucos dias antes da eleição para presidente em 2025 mostrava a principal candidata desistindo da campanha.
No mesmo ano, outros vídeos espalharam informações falsas sobre ameaças de segurança no dia das eleições parlamentares na Alemanha.
Mas segundo ele, não é possível apontar uma ligação direta entre o uso de ferramentas de IA e o resultado de uma eleição, pois há sempre muitos fatores envolvidos em uma corrida.
"Até o momento, não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição", diz.
Para Stockwell, o verdadeiro perigo da IA não está na alteração direta de votos, mas sim no efeito sutil e contínuo de semear confusão sobre o que é real, corroer a confiança nas instituições e na informação, e inflamar divisões políticas e polarização.
"A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou em entrevista à BBC News Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Tecnologia.