Denise Duarte: Os riscos do calor extremo são um reflexo das nossas desigualdades sociais
A cidade de São Paulo passou a contar no ano passado com um mapa detalhado do risco da população ao calor extremo, que combina condições ambientais e aspectos socioeconômicos para identificar as áreas de maior perigo, exposição e vulnerabilidade.
O mapa foi produzido por Denise Duarte, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), com a pesquisadora Luiza Muñoz, que desenvolveu o trabalho em seu doutorado na FAU-USP, e o professor Rohinton Emmanuel, da Universidade Caledônia de Glasgow, na Escócia.
Os principais resultados foram publicados em setembro de 2025 na revista Urban Climate .
Os pesquisadores cruzaram imagens de satélite e indicadores ambientais com características socioeconômicas, como renda, idade e condições de moradia.
Dados do Censo 2022 permitiram analisar cada um dos 27.592 setores censitários em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divide São Paulo.
A conclusão é de que o risco ao calor extremo é mais alta em áreas periféricas da capital, com maior densidade populacional e moradores de menor renda.
“Essa é a população mais afetada, aquela que pode morrer por causa do calor”, afirma Duarte.
Nesta entrevista, ela discute estratégias para reduzir os riscos das ondas de calor e defende que evidências como as reunidas no mapa orientem as prioridades das políticas de adaptação às mudanças climáticas.
A pesquisadora coordena projetos financiados pela FAPESP sobre resiliência e adaptação das cidades, com foco em soluções baseadas na natureza, e integra como autora a elaboração do Relatório Especial sobre Mudança do Clima e Cidades (SRCities), do Sétimo Relatório de Avaliação (AR7), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Como o mapa que vocês criaram se diferencia de outros levantamentos similares? Ao cruzar os dados ambientais com as informações socioeconômicas em cada um dos setores censitários da cidade de São Paulo, conseguimos um refinamento maior.
Outros levantamentos são mais genéricos, por grandes regiões, por exemplo.
Com os dados do Censo, é possível chegar a uma escala mais detalhada para fazer simulações sobre efeitos das mudanças climáticas e das políticas adotadas para enfrentá-las.
Como trabalhamos com dados abertos, o mapa pode ser atualizado a qualquer momento, se surgirem informações novas, ou quando houver um novo Censo.
Nossa metodologia também está disponível, e outras cidades podem reproduzi-la para criar seus próprios mapas de risco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.