Luiz Gama contra o Império, de Bruno Rodrigues de Lima
Luiz Gama contra o Império , de Bruno Rodrigues de Lima, purga a mora que a historiografia jurídica brasileira tem para com o tema dos abolicionistas.
Tradicionalmente transita-se de um imaginário Pai Fundador (Castro Alves e o Navio Negreiro , talvez) para uma apoteose em torno de Joaquim Nabuco, embora essa última seja de algum modo questionada em recente biografia, de autoria de Ângela Alonso.
Ainda que uma comparação entre Gama e Nabuco seja desnecessária, faltava ao publicista pernambucano o que ao advogado nascido na Bahia sobrava: o lugar de fala.
Esse ponto, no entanto, não diminuiu a enorme influência de Nabuco, embora enfatize a importância de Gama.
José do Patrocínio também estaria inscrito no cânon.
Bruno conta-nos muito sobre a infância do biografado.
Fala da mãe, escrava liberta, que teria deixado a Bahia, ao que consta na fuga de Sabinadas.
Fala do pai (uma incógnita), branco, rico e mais trade endividado, que vendeu o filho como escravo, ainda criança.
A história de Gama imbrica-se no enredo de Um Defeito de Cor, premiadíssimo romance de Ana Maria Gonçalves, livro que já resenhei aqui nesta coluna.
Gama foi desembarcado no Valongo (no Rio de Janeiro, caís de triste memória).
Foi novamente vendido e levado para São Paulo.
Conseguiu fugir alguns anos depois.
Foi acobertado por um chefe de polícia, que era professor nas Arcadas.
O autor enfatiza a importância que o letramento exerceu no movimento emancipatório do biografado.
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