EUA constroem data centers mais rápido do que rede elétrica expande
Os Estados Unidos constroem data centers em ritmo mais acelerado do que a rede elétrica nacional consegue abastecer.
É o que mostra o relatório da Moody’s.
A disponibilidade de energia ainda é a principal restrição ao crescimento do setor no país, com a velocidade das obras superando a capacidade de expansão da infraestrutura elétrica.
A análise foi publicada pelo The Register .
A projeção da Moody’s estima que o consumo elétrico dos data centers americanos chegará a 426 terawatt-horas (TWh) em 2030, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
O valor representa quase o dobro do registrado em 2025.
Para atender a essa procura, o setor elétrico precisará investir cerca de US$ 110 bilhões em novas capacidades de geração, o que deve adicionar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões por ano aos custos do sistema elétrico americano.
A corrida pela construção de data centers é impulsionada pelo crescimento da inteligência artificial (IA) e pela necessidade de capacidade computacional para treinar modelos de linguagem de grande porte.
Leia mais: Google investe US$ 15 bilhões em centros de dados na Europa Gargalos na expansão elétrica Os esforços para suprir a procura crescente esbarram em processos de licenciamento lentos e prazos longos para obtenção de equipamentos e materiais essenciais.
Em alguns casos, os atrasos chegam a sete anos.
A consultoria de gestão Bain & Company alertava para o problema há quase dois anos, ao observar que as empresas de energia precisavam ampliar significativamente sua capacidade de geração, revertendo anos de estagnação ou queda na procura por eletricidade.
A expansão das linhas de transmissão representa um gargalo paralelo.
Entre os investimentos já aprovados ou em construção nos mercados elétricos americanos, a Moody’s contabiliza entre US$ 80 bilhões e US$ 115 bilhões destinados à rede de transmissão até 2030, com potencial de triplicar ao longo da próxima década.
Em junho, o banco de investimentos Jefferies observa que metade da capacidade adicional de data centers planejada para os Estados Unidos em 2026 provavelmente não entrará em operação no ano, citando problemas de disponibilidade de energia e conexão à rede, além de desafios de zoneamento e licenciamento.
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