Segundo um novo estudo, as Cataratas de Sangue da Antártida escondem descendentes de antigas criaturas marinhas
O ambiente extremo preserva pistas de formas de vida ligadas a um passado muito antigo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR À primeira vista, a mancha vermelha que escorre pelo Glaciar Taylor , na Antártida , parece algo incompatível com uma paisagem dominada por gelo. A cor já tinha uma explicação química ligada a uma salmoura rica em ferro. Agora, um estudo publicado em 2026 acrescenta uma camada biológica ao fenômeno: perto da descarga vivem microrganismos com forte ligação a antigos ambientes marinhos.
A cor vem principalmente de compostos de ferro presentes em uma salmoura extremamente salgada. Esse líquido permanece sob o gelo e alcança a superfície de forma episódica na extremidade do Glaciar Taylor, nos Vales Secos de McMurdo.
Quando a salmoura entra em contato com as condições da superfície, o ferro participa de reações que formam materiais avermelhados sobre o gelo. É esse processo que produz o aspecto que deu origem ao nome Cataratas de Sangue .
O novo trabalho não muda essa explicação para a cor. Ele mostra que o mesmo sistema de salmoura também carrega pistas sobre uma história muito mais antiga entre o vale e o oceano.
Os pesquisadores encontraram uma comunidade ativa de microeucariotos com forte afinidade marinha. Microeucariotos são organismos microscópicos cujas células possuem núcleo, grupo que inclui diferentes tipos de algas e protistas.
O estudo publicado na Nature Geoscience em 3 de agosto de 2026 analisou 167 amostras de água, gelo, sedimentos e material transportado pelo vento, além de referências marinhas do Estreito de McMurdo.
A assinatura mais ligada ao oceano apareceu justamente no gelo avermelhado, na lama e nos sedimentos influenciados pela descarga das Cataratas de Sangue.
A pista veio da composição da comunidade e da comparação genética com organismos marinhos atuais. Diatomáceas, haptófitas, dinoflagelados e ciliados associados a ambientes oceânicos aparecem concentrados na região alimentada pela salmoura.
A Scripps Institution of Oceanography explica que o sinal marinho é mais forte perto das Cataratas de Sangue do que nos demais ambientes de água doce e terrestres analisados.
Não. O estudo aponta uma comunidade relicta e adaptada, não uma cópia intacta de um oceano antigo. As linhagens atuais passaram por isolamento, seleção e mudanças ecológicas enquanto o ambiente se transformava.
O J. Craig Venter Institute , que participou da pesquisa, destaca que a comunidade é biologicamente ativa e de origem marinha, mas vive hoje em condições muito diferentes das encontradas no mar aberto.
Porque o local passa a funcionar também como um registro biológico de antigas mudanças entre oceano, gelo e continente. Até agora, grande parte da atenção estava concentrada na origem da salmoura e na química que produz a cor vermelha.
A nova pesquisa mostra que a comunidade microscópica preserva outra parte dessa história. O estudo encontrou diferenças genéticas entre diatomáceas do Glaciar Taylor e populações do Estreito de McMurdo, sinal compatível com isolamento geográfico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.