Bolsa pode cair 35% em dólar após eleição sem plano fiscal crível, diz Morgan Stanley
O Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode cair cerca de 35% em dólar, ou 25% em reais, no cenário mais adverso traçado para o pós-eleição.
O banco afirma que o mercado precifica um cenário de baixa relativamente benigno e que o risco efetivo é maior.
A expectativa é que as empresas domésticas fora do setor bancário tenham desempenho substancialmente pior que o índice num cenário de continuidade de política econômica, penalizadas tanto pela compressão de múltiplos quanto pelo impacto nos lucros.
O Ibovespa, por sua vez, teria perda amortecida pelas exportadoras e pelos bancos.
“Nossa principal discordância com o consenso reside no lado negativo: enquanto os mercados esperam que o Brasil ‘se vire’, acreditamos que o crescimento mais fraco, a inflação persistente e as taxas restritivas deixam menos espaço para ambiguidade fiscal e podem desencadear um ciclo não linear de prêmios de risco mais altos, desvalorização do real, afrouxamento monetário limitado do Banco Central, atividade econômica mais fraca e deterioração da dinâmica da dívida”, explica o Morgan em relatório divulgado a clientes nesta segunda-feira (24).
O desfecho pós-eleitoral é descrito pelo banco como uma história de divergência fiscal, na qual a execução dependerá do Congresso, dos governadores e da formação de coalizões.
A eleição também é apontada como determinante para a narrativa da Bolsa brasileira e para o avanço da adoção de inteligência artificial no país.
Leia também Tesouro pode usar US$ 1 tri de conta no Fed para recompra de títulos, diz CNBC Os títulos longos nos EUA passaram a recuar nesta segunda-feira (24) após o anúncio Recessão a caminho? O que fazer com seu dinheiro se o temor do mercado se confirmar Especialistas veem espaço para prefixados curtos e Tesouro IPCA+ de prazo médio, mas pedem cautela com crédito privado e recomendam esperar sinais concretos antes de mexer na carteira No cenário positivo, a visão fica mais próxima do consenso, mas com peso maior sobre a velocidade das mudanças.
“Um plano [fiscal] plurianual crível poderia reduzir os prêmios de risco, fortalecer o real e desbloquear o afrouxamento monetário antes da melhoria do saldo primário, um “choque de gradualismo”, defende o banco.
No caso pessimista, o Morgan projeta crescimento de 0,2% e Selic de 15,5%.
No otimista, a economia cresceria 1,5% e a taxa básica cairia para 9,75%.
A dívida pública só se estabilizria no segundo cenário – no primeiro, superaria 100% do PIB até 2033.
A conclusão do banco é que a entrega fiscal será gradual, mas a reprecificação dos ativos brasileiros não precisa ser.
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