Debates presidenciais estão ultrapassados? Colunistas opinam
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O formato dos debates presidenciais "está falido" e precisa ser repensado para reduzir a influência de marqueteiros e das campanhas, disse o colunista Josias de Souza no UOL News , do Canal UOL.
A discussão ocorreu após a ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band e a exibição, no mesmo dia, de uma entrevista gravada com o presidente pela Record. Para os colunistas do UOL , a fuga do confronto direto expõe limites do modelo atual.
Acho que isso realça o fato de que o formato dos debates está falido. As emissoras vão ter que rediscutir isso, vão ter que evoluir para alguma coisa parecida com o que acontece nos Estados Unidos. Escolhe-se ali um mediador que tenha confiabilidade dos dois lados ou de todos os candidatos. Josias de Souza
Para Josias, campanhas e consultores passaram a escolher quando o confronto interessa. Ele disse que, quando o debate pode trazer risco, a saída é trocar o palco por formatos mais controlados.
Os marqueteiros se tornaram personagens autossuficientes. Eles mesmos criam as regras, eles mesmos impõem as regras aos organizadores dos debates e eles mesmos fogem dos debates quando aquelas regras podem ser prejudiciais aos seus candidatos, dependendo da conjuntura. Josias de Souza
O colunista Alexandre Borges avaliou que o modelo dos debates ficou preso a uma lógica de outro tempo, quando a TV concentrava a atenção do público. Para ele, o consumo de mídia mudou e isso alterou o custo-benefício de um debate rígido, cheio de regras.
Eu acho que realmente esse formato passou. Aquela imagem da família sentada no sofá, assistindo o mesmo programa de televisão, todo mundo parado, isso não é mais a realidade das pessoas. O consumo de mídia mudou, a maneira como as pessoas se relacionam com o conteúdo mudou muito. Alexandre Borges
Borges também criticou o que chamou de engessamento das campanhas e disse que a legislação eleitoral "não ajuda", ao limitar o período e a forma de comunicação dos candidatos. Na leitura dele, isso empurra o debate para um ritual que não conversa com o jeito atual de o eleitor se informar e debater política.
A colunista Thais Bilenky disse que as redes sociais viraram um "atalho" para candidatos falarem com o público do jeito que querem, mirando segmentos específicos e impulsionando publicações. No entanto, para ela, esse caminho não substitui o confronto de ideias.
O debate pode ser chato e maçante, mas ele proporciona um contraste, uma contraposição, um debate propriamente de ideias e divergências. O que a gente precisa também é cobrar que os candidatos tenham o coração tranquilo e a espinha ereta de enfrentar um momento que pode não ser o momento que vai viralizar. Thais Bilenky
Josias disse concordar com Thais ao afirmar que o debate não precisa ser "divertido", mas deve ter os candidatos presentes, e apontou a necessidade de "compelir" as campanhas a comparecerem.
O formato tem que mudar não para se tornar o programa mais divertido, mas para virar o jogo, para tornar a presença quase que uma obrigação. Os candidatos seriam como que compelidos a comparecer, sob pena de perder alguma coisa.
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