Brasil perde 14% de vegetação nativa em 40 anos e fica mais exposto ao El Niño
Vegetação nativa: números encolhem em quase todo o país, enquanto agropecuária cresce com mudança no uso da terra e menor preparação para eventos climáticos extremos (Paulo Whitaker/Reuters)
A vegetação nativa ocupava 79% do território brasileiro em 1985. Quatro décadas depois, essa participação caiu para 65%, queda de 14 pontos percentuais. No mesmo intervalo, a agropecuária avançou de 18% para 32% do país.
A mudança na paisagem não se limita à substituição de uma cobertura por outra: dados do MapBiomas divulgados nesta quarta-feira, 12, indicam que a transformação do uso da terra também está associada a diferenças na forma como áreas naturais e agropecuárias respondem a eventos extremos de precipitação durante o El Niño .
A comparação entre a série histórica de cobertura e uso da terra e os dados de precipitação do MapBiomas Atmosfera mostra que secas e chuvas intensas se tornaram mais pronunciadas em episódios fortes do fenômeno. O levantamento considera três eventos recentes de El Niño — 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024 — e analisa as anomalias de precipitação, diferença em relação à média climatológica, entre setembro e novembro, trimestre em que os extremos se mostram mais críticos no Brasil.
Na Amazônia, o déficit de chuva foi o maior entre os biomas nos três eventos analisados. No El Niño de 2023/2024, as áreas ocupadas pela agropecuária registraram chuvas 178 milímetros abaixo da média, a maior redução observada no bioma .
No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica , a seca se intensificou a cada novo episódio analisado, sobretudo em áreas de vegetação nativa. No Pantanal, o último El Niño também teve efeito expressivo sobre as chuvas: 2024 foi o ano mais seco de toda a série histórica mapeada.
O comportamento foi diferente no Sul. No Pampa e na porção meridional da Mata Atlântica , os eventos de El Niño produziram excesso de precipitação. No Pampa, em dois dos episódios analisados, o volume excedente foi maior nas áreas agropecuárias do que nas áreas de vegetação nativa.
“Esse excesso de chuvas nas áreas agropecuárias provoca, em muitos casos, perdas nas lavouras e erosão dos solos agrícolas, o que é agravado pela redução da vegetação nativa que atua na proteção do solo e na maior infiltração da água da chuva ”, afirma Eduardo Vélez, da equipe do Pampa no MapBiomas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.