Enviado de Trump manteve laços com empresa envolvida em oleoduto de US$15 bi para contornar Ormuz
DUBAI, 9 Out (Reuters) - Thomas Barrack, um importante diplomata norte-americano no Oriente Médio, defendeu que uma empresa dirigida por seu parceiro de negócios participasse do desenvolvimento de um oleoduto do Iraque à Síria, segundo três pessoas, algo que parece violar as normas federais de ética.
Em julho, o Iraque e a Síria assinaram memorandos de entendimento com um consórcio pelo grupo de investimentos californiano TI Capital, pela Chevron e pela UCC Holding, do Catar, para realizar estudos técnicos e financeiros em preparação para a reabilitação do oleoduto, que contornaria o estreito de Ormuz.
Barrack, enviado especial do presidente dos EUA tanto para o Iraque quanto para a Síria, além de embaixador na Turquia, mantém uma relação comercial de longa data com a TI Capital e seu fundador, Ziad Ghandour. Na época de suas audiências de confirmação, em 2025, ele detinha uma participação financeira que lhe dava direito a até um quinto dos lucros de um empreendimento imobiliário próximo a San Francisco, na Califórnia, administrado pela TI Capital -- tendo Ghandour como diretor executivo. Ele afirmou pretender manter essa participação, segundo mostram registros públicos.
Durante reuniões com autoridades sírias e iraquianas após o início da guerra no Irã, Barrack pressionou para que a empresa de Ghandour fosse incluída no projeto, segundo duas pessoas com conhecimento direto das discussões.
Em 16 de junho, um mês antes da assinatura do acordo do consórcio, Barrack e o primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi emitiram uma declaração conjunta elogiando a decisão do Iraque de “avançar com um memorando de entendimento com a TI Capital para reabilitar o oleoduto Kirkuk-Baniyas”. A declaração não fez menção à Chevron ou à UCC em relação ao oleoduto.
A Reuters não encontrou evidências de que Barrack venha a lucrar com o oleoduto ou com outros projetos. Seus laços com Ghandour não constituiriam um conflito de interesses criminal, a menos que ele viesse a lucrar diretamente com o próprio oleoduto, afirmaram dois advogados especializados em ética à Reuters.
No entanto, a relação de Barrack com Ghandour torna tal defesa de interesses “um problema sério” sob a regulamentação que proíbe autoridades de participar de assuntos que ponham em dúvida sua imparcialidade devido a uma relação pessoal ou comercial, disse Richard Painter, ex-advogado-chefe de ética da Casa Branca e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Minnesota.
A regra de imparcialidade, que não é uma lei penal, pode ser acionada pelo envolvimento de um parceiro de negócios em um projeto, independentemente de o funcionário ter ou não um interesse financeiro próprio.
“A preocupação ética é a aparência de um conflito de interesses”, disse Ann Skeet, diretora executiva interina do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara.
Questionado sobre o que Barrack teria precisado fazer para cumprir a regra, Painter disse: “Não ter nada a ver com esse oleoduto. Abster-se completamente.
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