Cremesp concede carteira póstuma a estudante de medicina morto por PM
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entregou a carteira profissional de médico, de forma póstuma, ao estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, que foi morto por um policial militar em novembro de 2024.
Cerimônia aconteceu ontem na sede da Cremesp no centro de São Paulo. O presidente do órgão, Ângelo Vattimo, e o diretor secretário Mário Martinez Filho entregaram o documento aos pais de Marco Aurélio, Júlio Cesar Navarro e Silvia Mônica Cardenas Prado. O pai do estudante disse estar profundamente emocionado com o gesto de "ética, sensibilidade e humanismo extraordinário"
Quero que saibam que esta entrega de carteira profissional de exercício da medicina, vocês não estão entregando aos pais de Marco Aurélio, mas sim a ele mesmo - Júlio Cesar Navarro em discurso na Cremesp
Em dezembro de 2025, Marcos recebeu diploma de forma póstuma pela Universidade Anhembi Morumbi. O diploma foi entregue durante a coleção de grau de sua turma.
Marco Aurélio foi baleado pelo policial militar Guilherme Augusto Macedo com um tiro à queima-roupa. O caso correu em um hotel na zona sul de São Paulo, na madruga do dia 20 de novembro de 2024 após o estudante ser perseguido por Guilherme, e outro PM identificado como Bruno Carvalho do Prado, que foi preso em agosto desse ano após a esposa acusá-lo de ameaça e lesão corporal.
Câmeras de segurança mostram jovem andando na rua e dando um tapa no retrovisor da viatura dos PMs. Os agentes correram atrás do jovem, que entrou no hotel onde estava abrigado e foi puxado pelos policiais.
Policiais disseram no boletim de ocorrência que viram o estudante "bastante alterado" e agressivo quando entraram no estabelecimento. Em determinado momento do processo, eles chegaram a ser afastados dos trabalhos nas ruas.
O pai de Marco Aurélio diz que seu filho foi "torturado" pelos policiais e pelos bombeiros. Ele alega que os bombeiros levaram o filho para um hospital longe do local dos fatos, sendo que tudo ocorreu a poucos metros de uma unidade de saúde. "Policiais e bombeiros são pagos para salvar vidas, não para matar a população. Essa é uma atitude pior que a de criminosos. Mataram meu filho de maneira covarde, criminosa", declarou ao UOL.
Bruno e Guilherme serão levados a júri popular, ainda sem data para ocorrer. Com a prisão de Bruno, apenas Guilherme segue respondendo em liberdade pelo homicídio duplamente qualificado do estudante.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.