Recado ou bazuca? Entenda a intervenção do Tesouro dos EUA que animou o mercado
O Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (19) que vai ao menos dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos públicos de prazo mais longo.
O teto por operação sobe de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões nos setores de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos, com validade a partir de 9 de setembro e até 4 de novembro.
Em termos financeiros, é pouco dinheiro para o tamanho do mercado de Treasuries .
Ainda assim, o anúncio derrubou os juros longos em toda a curva, enfraqueceu o dólar globalmente e disparou uma onda de compras em ações, ouro e criptomoedas.
Segundo fontes do mercado, porém, o motivo não é tanto o tamanho da liquidez, mas sim o recado passado pelo secretário Scott Bessent.
O que muda na prática Recompra de títulos é o Tesouro voltando ao mercado para comprar de volta papéis que ele mesmo emitiu, usando caixa que já tem.
Ao criar demanda adicional, a operação empurra o preço dos títulos para cima.
Como preço e taxa caminham em direções opostas, o rendimento cai.
O comunicado do Tesouro informou que está “aumentando, pelo menos em dobro, o tamanho das operações de recompra voltadas ao suporte de liquidez” para papéis com vencimentos entre 10 e 30 anos, citando o volume expressivo de ofertas de alta qualidade que costuma receber nesses leilões.
A medida se assemelha à recompra de títulos públicos realizada em março pelo Tesouro Nacional no Brasil , e tem menos relação com o chamado Afrouxamento Quantitativo (QE na sigla em inglês) do Federal Reserve (banco central americano), mecanismo responsável por injetar liquidez nos mercados na época da pandemia.
A diferença é que, no QE, o banco central compra títulos criando reservas bancárias novas, o que expande a liquidez do sistema.
Na recompra do Tesouro não há criação de moeda, e sim troca de um papel longo por caixa existente, encurtando o perfil de vencimento da dívida.
“Isto NÃO é um abatimento de dívida”, escreveu Peter Boockvar, diretor de investimentos da One Point BFG Wealth Partners, para quem a operação apenas rearranja o cronograma de vencimentos dos Treasuries.
Por que agora O timing é o que chama mais atenção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.