Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato
Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, fala no podcast Touros e Ursos sobre os principais cenários para os mercados brasileiros diante da disputa eleitoral
A corrida presidencial de 2026 está longe de ter um resultado definido e quem tentar montar a carteira apostando em um vencedor para a eleição pode acabar cometendo um dos maiores erros de investimento.
Essa é a avaliação de Rogério Freitas , diretor de investimentos do ASA. Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro , o executivo afirmou que o mercado parece atribuir uma probabilidade excessiva à continuidade do atual governo, enquanto ele enxerga uma disputa muito mais equilibrada.
"A minha visão é que o mercado está mais para 60% de chances de reeleição agora. Mas, na minha cabeça, as probabilidades estão mais para 50/50 do que o mercado está precificando", disse.
Segundo Freitas, a partir de julho o cenário eleitoral passou a ter mais influência sobre os preços dos ativos brasileiros do que o ambiente internacional. Com isso, bolsa, dólar e juros devem continuar reagindo às pesquisas e aos acontecimentos da campanha nos próximos meses.
Para o investidor pessoa física, porém, a recomendação não é tentar prever o resultado das urnas.
"Quando a gente entende que não tem como prever o futuro, a gente tem mais humildade. O nosso processo é probabilístico. Se o cenário é 50/50, você tem 50% de chances de a bolsa cair muito e 50% de chances de subir muito", afirmou.
Na visão do diretor do ASA, o cenário atual é particularmente difícil porque os dois principais desfechos eleitorais podem provocar movimentos muito diferentes nos mercados.
"A bolsa é o melhor ativo se a gente tiver mudança de política fiscal. Ela vai subir muito. Todavia, a bolsa é o pior ativo se a gente tiver continuidade da política fiscal", disse.
Por isso, ele defende que investidores evitem transformar a carteira em uma aposta eleitoral.
Freitas lembrou que mesmo profissionais do mercado raramente conseguem prever corretamente eventos políticos e ressaltou que o maior erro costuma ser alterar a estratégia em função do noticiário de curto prazo.
Na visão do diretor, o maior erro que um investidor pode cometer num ano eleitoral é transformar a carteira numa aposta sobre quem vai ganhar a disputa presidencial.
Para sustentar esse argumento, ele citou um estudo clássico de Gary Brinson com grandes fundos universitários americanos. A conclusão, segundo o gestor, foi que os resultados de longo prazo dependem muito mais da disciplina para manter uma estratégia de investimentos do que da capacidade de escolher as ações certas ou acertar o timing do mercado.
"90% da performance foi de seguir uma política de investimento adequada para você e manter ela por longo prazo", disse.
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