Flávio Bolsonaro faz campanha com amigo investigado por corrupção e que se beneficiaria com privatização das praias
Enquanto busca se desvencilhar da relação com Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro (PL) participou de uma “barqueata” em Angra dos Reis neste sábado (29) ao lado do amigo Renato Araújo , vizinho e antigo aliado do clã, que fundou a Bravo Construções, empresa que foi alvo de busca e apreensão na Operação Saravasti, desencadeada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no dia 13 de agosto .
O inquérito apura um suposto esquema de corrupção que soma mais de R$ 1 bilhão em contratos para obras em escolas públicas durante o governo Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro.
VEJA TAMBÉM: VÍDEO: “Barqueata” de Flávio Bolsonaro atropela jet ski dos bombeiros em Angra Candidato a deputado federal com o nome “Renato Araújo do Bolsonaro”, ele recebeu Flávio em Angra – onde o clã Bolsonaro mantém uma casa de veraneio – e acompanhou o amigo até o embarque para o ato no mar desfilando em uma caminhonete Dodge Ram, cujo valor pode ultrapassar R$ 500 mil.
Nas redes, Araújo fez diversas postagens ao lado de Flávio Bolsonaro na baia de Angra dos Reis.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Renato Araújo (@renatoaraujorj) Sócio da Bellavista Portogalo Empreendimentos SPE Ltda, Araújo é dono de um empreendimento para construção de 31 mansões em uma área de 320 mil metros quadrados na região, que virou alvo de dois inquéritos no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).
Um deles, criminal, foi arquivado em 2023.
O outro, que corre na esfera civil e ambiental, seguia aberto na 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Angra dos Reis até 2024, quando a revista Piauí fez uma longa reportagem sobre a investigação por possíveis danos ambientais em Áreas de Proteção Ambiental (APP) e descumprimento das regras de licenciamento.
A reportagem, de agosto de 2024, mostra ainda que dos 320 mil metros quadrados do empreendimento, 8 mil m² estão em terreno de marinha — faixa pertencente à União.
É justamente esse tipo de área que poderia ser vendido a particulares caso a PEC das Praias, relatada por Flávio Bolsonaro no Senado, seja aprovada .
ENTENDA: Privatização das praias: PEC vai expulsar pobres e gerar especulação imobiliária, diz estudo PEC das Praias: Neymar, filho de Bolsonaro, bilhões de lucro e manchetes no mundo A proposta permite a transferência definitiva desses terrenos para empresas e pessoas físicas, retirando da União a propriedade e parte dos mecanismos de fiscalização.
No caso da Bellavista Portogalo, a mudança poderia beneficiar diretamente o empreendimento de Renato Araújo.
A reportagem também revelou uma possível irregularidade no registro da área.
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