Ex-FAB: Estivemos muito perto da ruptura institucional no governo Bolsonaro
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Brasil ficou "muito próximo" de uma ruptura institucional durante o governo Jair Bolsonaro, disse o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), no UOL Entrevista.
Para Baptista Júnior, o confronto entre instituições escalou e alimentou um "fogo cruzado institucional" que elevou o risco de ruptura.
É grave esse confronto cruzado institucional, porque são as instituições que garantem. E, durante o governo Bolsonaro, isso foi muito visto aqui. Talvez pelo temperamento das pessoas, por outros que aceitavam o desafio e dobravam a aposta. Isso foi num crescente. Quase rompeu lá em 7 de setembro de 2021, na Avenida Paulista.
Depois houve a declaração, com a nação ajudada pelo Michel Temer. O ex-presidente Temer teve um papel muito importante de botar aquela bola no chão, porque nós estivemos muito próximo desse elástico arrebentar, e aí nós chegamos nesse período final, em que não havia mais diálogo. Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da FAB
O ex-comandante afirmou que a escalada de tensões não se limitava a declarações públicas e que, no fim do governo, o ambiente já era de falta de diálogo entre os Poderes e instituições.
Ele também relatou um encontro reservado, em agosto de 2022 , com o então procurador-geral da República, Augusto Aras, e o ministro Dias Toffoli. Segundo Baptista Júnior, participaram os três comandantes das Forças Armadas, Aras e Toffoli.
Em agosto de 2022, nós, os três comandantes, convidamos o PGR, doutor Augusto Aras, e o ministro Toffoli. Fizemos um jantar, só nós cinco. O ministro da Defesa não foi convidado. E nós avisamos para ele: hoje são as Forças Armadas com o ministro do STF e o procurador-geral. Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da FAB
De acordo com o brigadeiro, a mensagem central do jantar foi um pedido para que cada instituição atuasse para reduzir a temperatura interna, diante do que ele descreveu como percepção de que os militares estavam mais alertas para o risco de ruptura do que outros atores.
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