Durigan: intolerância com inflação deve valer também para irresponsabilidade fiscal
O ministro da fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (17) durante a 27ª Conferência Anual Santander , que o País adote com a política fiscal a mesma postura de repúdio que consolidou nas últimas décadas contra a inflação alta.
“A mesma intolerância que nós temos para a inflação alta, a gente tem que ter com a irresponsabilidade fiscal”, afirmou, ao sustentar que a construção de consensos no ambiente político atual depende de uma bandeira comum de responsabilidade nas contas públicas.
Ao mencionar a experiência da hiperinflação e das trocas de moeda nos anos 1980, Durigan disse que a estabilidade monetária representou um “ganho civilizacional” e que o Brasil não pode abrir mão desse avanço.
Para ele, o próximo passo é ampliar esse padrão de intolerância para decisões fiscais sem lastro.
Segundo o ministro, o governo tem atuado para levar ao debate público, no Congresso, tribunais e entre governadores e prefeitos, a necessidade de evitar medidas sem fonte de receita e de barrar a ampliação de privilégios.
Leia também Durigan: não há motivo para medo da reforma tributária De acordo com o ministro da Fazenda, a reforma precisa sinalizar que 2026 será voltado à educação e adaptação, sem penalidades relacionadas a obrigações acessórias Durigan: juros precisam ser endereçados; um dos caminhos é pelo lado fiscal Ministro da Fazenda destacou que o governo pretende perseguir a trajetória de resultado fiscal prevista no PLDO Durigan avaliou que a discussão fiscal só se sustenta com um ambiente institucional estável e previsível, capaz de projetar expectativa para o futuro.
Ele citou como boas práticas o arcabouço fiscal que, segundo ele, busca garantir crescimento das despesas em ritmo inferior ao da receita e a exigência de estimativas de impacto e projeções plurianuais para proposições no Legislativo e iniciativas do Executivo, em linha com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Reforma tributária No diagnóstico de Durigan , a reforma tributária também é parte do esforço de organização das contas no médio e longo prazos.
Ele disse ainda que o governo trabalha para conter o crescimento dos gastos obrigatórios e que foram incluídas na legislação duas travas importantíssimas que, segundo ele, devem reduzir a pressão dessas despesas em cerca de R$ 10 bilhões no próximo ano, com efeito crescente nos exercícios seguintes.
Endividamento Ao tratar do endividamento, Durigan apontou a dívida pública como foco, mas citou também o aumento do endividamento de empresas e famílias, além de segmentos como agronegócio e Santas Casas.
Nesse contexto, ele destacou que o “desafio do juro do Brasil” é, na sua avaliação, o principal desafio nacional por representar um custo permanente tanto para o Tesouro quanto para a sociedade.
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